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:: 28 de junho, 2008 ::
eter na mente
ela sentiu um medo doido de repente ... depois de alguns segundos ... compreendeu finalmente o que é a eternidade
:: 25 de junho, 2008 ::
é preciso ter coragem pra ser ilustre...
Desde segunda-feira ando ocupada com os currículos dos itapevenses ilustres que serão homenageados na Sessão Solene da próxima sexta-feira, dia 27. São cineastas, cientistas, jornalistas, engenheiros, atores, músicos, artistas plásticos, fotógrafos, produtores de moda, escritores, poetas, médicos, cantores, gente que se deu bem quando picou a mula daqui e resolveu enfrentar todos os leões e dragões. Palmas pra eles. Ano passado homenageamos 11, este ano serão 20 e, pensando no conforto das famílias e amigos, transferimos a solenidade para o Itapeva Clube. Convidamos para abrilhantar a festa a Oficina de Dança Denize Claro e o Madrigal Pange Língua, além do violonista Alex Oliveira, itapevenses que não foram, se juntaram a forasteiros e são gente que brilha também. Estar organizando este evento tem feito essa semana fria e chuvosa passar mais rápido. Entre um texto e outro faço uma pausa e penso na coragem deles. Coragem que eu não tive pra ir e ficar. Mas, me consolo, concluindo que também sou corajosa por ter voltado, fincado raízes e feito o melhor da minha vida aqui. Não foi isso que eu sonhei pra mim, obviamente. Do Rio, meu destino era Nova Iorque, oras bolas pipocas! Mas, é possível adaptar sonhos, encontrar alternativas e construir novas maneiras de se realizar e ser feliz. Isso fica muito claro pra mim, quando vou dar mais um beijo nas minhas filhas, antes de dormir e, do nada, choro emocionada porque elas existem. Esse amor que tenho por elas já seria justificativa suficiente para o meu retorno, mas tem mais. Quando vejo pela tv, no Bom Dia São Paulo, a marginal completamente parada, suspiro agradecida por não enfrentar trânsito logo cedinho. Deu no Fantástico de domingo passado que os cérebros dos paulistanos têm as mesmas reações dos pobres coitados que vivem nas trincheiras, em eterna guerra. Arre! Não daria conta desse estresse. Não mesmo. E, embora pareça uma apologia à vida do interior com boa dose de dor de cotovelo, não é! Esse silêncio todo não me atordoa. Essa calmaria não me dá tédio. Essa mesmice não me apavora. A energia está dentro de mim. Aqui ou em qualquer lugar do mundo. Estou feliz em abraçar essa gente corajosa. Sejam bem vindos à sua terra natal! Que tal uma cerveja e uma cantoria em volta de uma fogueira pra depois da solenidade?
:: 19 de junho, 2008 ::
simplicidade...
curvo-me ao tempo curvo-me resignada curvo-me apenas curvo-me devagar curvo-me, simplesmente
:: 15 de junho, 2008 ::
1.5
que nada apague o brilho no seu olhar...
pelos próximos 494 anos... e mais um feriado prolongado... FELIZ ANIVERSÁRIO LU!!!
:: 11 de junho, 2008 ::
resolvi...
Eu sou uma pessoa resolvida. Tanto que resolvi tampar os ouvidos e fechar os olhos a cada intervalo comercial dos poucos momentos que paro pra ver tv. Tenha dó! Já fiquei sem presente no dia das mães e amanhã vai ser a mesma água. Nem vou fazer coro com os que descem a boca na mídia, que faz a gente se sentir culpada por não dar e por não receber.
Tanto que resolvi pedir ao guardinha pra ir pagar a prestação do micro nas Casas Pernambucanas. É muito coraçãozinho vermelho pendurado pro meu gosto. Agora sério: não é muito mais gostoso dar e receber sem que seja preciso uma data? Eu resolvi que sim. Além de outras coisinhas do gênero. E que o Roberto Carlos não ouse cantar: ... não adianta nem tentar, me esquecer,
:: 08 de junho, 2008 ::
fazer parte...
Dizer que venci essa semana é mentira. Ganhei, essa é a verdade. Foi produtiva, trabalhada, corrida, maluca, divertida e completamente gratificante. Fora o lesco-lesco normal, com sessões na segunda e na quinta, na quarta (o dia do nevoeiro infinito) participei de uma mesa redonda sobre voluntariado, na Sala Verde. (preciso aqui abrir um parênteses pra registrar que o meu amigo Paulo Saponga transformou aquele pedaço de Mata Atlântica num lugar especial e sagrado. brigada, Paulo!) Durante o debate ouvi depoimentos emocionados de gente que doa parte do seu tempo pra ajudar quem precisa. E são felizes em fazer o bem. Isso foi um oásis no deserto de acontecimentos e notícias que os jornais veicularam por esses dias. E veio de encontro ao propósito do Voluntariado Verde: o que temos feito pelo nosso meio ambiente, não apenas pela natureza, mas por nós mesmos que, afinal, também fazemos parte disso tudo. E ontem à tarde, pra fechar essa semana voluntariosa, ouvimos o Coral Pange Língua lá na Mata, ao pôr do sol. Sabe quando a emoção faz o couro da cabeça arrepiar? Divino! E depois do frapê de café gelado com amarula que tomei com a Cris (vamos experimentar todos, já combinamos) fui ver o jogo de vôlei: Itapeva 3 x 2 São Bernardo. Jogaço! Detalhe: sozinha! Fui entrando, cumprimentando alguns conhecidos até encontrar um lugar legal. Mas torcida é torcida e quando nos demos conta, éramos todos companheiros nas palmas e no grito: UH! I-TA-PE-VA! Bom voltar a torcer. Bom estacionar o carro longe e voltar andando devagar. Bom me sentir parte de algo. Bom que ainda temos o domingo.
:: 04 de junho, 2008 ::
ainda...
quase meio dia e a cidade ainda não conseguiu sair do nevoeiro. ...cerração baixa é sol que racha... era assim que meu pai falava. *** quase meia vida e eu ainda não consegui sair do nevoeiro.
:: 01 de junho, 2008 ::
O PÉ DE MEIA
Era sempre assim. Toda vez que pendurava as roupas no varal e chegava nas meias, um ou dois pares ficavam com um pé só. Isso a enfurecia por alguns segundos. Ficava se perguntando onde estaria o par, embaixo de qual cama, dentro de qual gaveta, provavelmente bem encardido. Ao longo dos anos adquiriu uma técnica pessoal para dispor as peças no varal. Começava sempre pelas calcinhas, sutiãs, meias, depois camisetas, calças, moletons, lãs fazendo com que essas últimas ficassem expostas ao sol o dia todo. A falta do pé de meia a intrigava profundamente. Carregava o balde vazio e o resto dos prendedores para dentro de casa resmungando. Olhava mais uma vez dentro da máquina para se certificar de que o danado não estaria por ali, em algum cantinho, se fingindo de morto. Que nada! Tinha evaporado mesmo. O dia passava enquanto ela mexia com as plantas, com os potes embaixo da pia, com os livros na estante da sala, com os discos, com as fotos. Não era sempre, mas às vezes dava uma ajeitada naquela estante e perdia muito mais tempo com as fotos, revendo os álbuns, lembrando do que a levara a registrar aquele exato momento, aquele sorriso, aquela cena. Tantos anos, tantas pessoas, tantas fantasias, tantos sonhos. Fechava os álbuns, os olhos, enquanto a cabeça viajava por outras estações. O verão e o gosto de sal na boca, o mar. Sempre teve fascinação pelo mar. Ainda menina, quando atravessava a praça na volta da escola, imaginando que um dia sentiria saudades daquele fim de tarde e, mesmo sabendo que primeiro teria de enfrentar um horizonte geométrico, tinha certeza de que seria vizinha do mar. Fechava os olhos e sentia a maresia. Respirava fundo e pensava nas escolhas que tinha feito pela vida. Ir. Esquecer. Encarar. Desistir. Arriscar. Voltar. Para quem planejava Nova Iorque depois do mar, voltar à mesma praça foi também uma escolha. Boa? Como saber, se não tinha ido à Nova Iorque? - Cadê aquele pé de meia? - pensava enquanto catava as coisas deixadas pelas meninas na sala. Já tinha avisado que tudo o que fosse encontrado iria para uma caixa e ficaria de “castigo” por uma semana, para aprenderem que tudo tem seu lugar. Mas, a ameaça tinha ficado apenas na ameaça. Não tinha escolhido ainda a caixa onde seriam castigados os objetos perdidos. Respirou buscando a maresia e imaginando quando estaria outra vez de frente para o mar. Era uma necessidade física, uma urgência, um presente. Mas o mar estava longe. As pessoas estavam longe. Os amigos, todos longe. De repente, uma pontada fria no estômago. Estava só no mundo. Não tinha mais ninguém por ela. Era ela e o espelho. E esse era de uma crueldade monstruosa a lhe dizer todos os dias que o tempo havia passado enquanto ela procurava o pé de meia. Tentou se acalmar esfregando o peito, a barriga, as mãos. Aproveitou que estava mexendo na estante e resolveu lavar as pedras, deixar de molho em água e sal grosso para energizar, enquanto via um filme atrás do outro buscando nas histórias irreais, semelhanças com a sua. Sim. Sua vida daria uma novela. Com muito romance, muita comédia, muito suspense e terror e até alguns capítulos do gênero policial. Não, ela não tinha vindo ao mundo a passeio. Mas adoraria, naquele momento, estar fazendo um, em vez de faxinar, catar coisas, pendurar roupas, cuidar de plantas. No entanto, o máximo que tinha ao seu alcance agora era o controle remoto da TV, o maço de cigarros e um copo de café. Assim passou o dia e chegou a noite de lua nova. Sorriu ao ver o risquinho no céu e fez a oração de sempre: “Deus te salve lua nova, em todas as suas crescentes, quando fores, quando vieres, traga mais de suas sementes”. Em seguida, um pedido forte. Paz. Era a primeira palavra que visualizava, por mais que precisasse de saúde, amor, alegria, grana, pedia paz. Porque sabia que sem paz nada estaria de acordo, nada seria completo. Além do mais, precisava de serenidade para enfrentar os questionamentos das meninas, os carnês das Casas Bahia e das Casas Marinho, o supermercado no final de cada mês e o sumiço do pé de meia. Mal sabia ela que não havia o que temer e que para tudo encontraria uma solução. Mal sabia que o vazio que estava sentindo era apenas o começo de mais uma fase. Que ela teria sim além da paz, saúde, amor, alegria e grana. Que logo estaria novamente de frente para o mar misturando o sal dos olhos, com o sal do ar. E que tudo ficaria líquido e fácil de digerir. E que a atual dificuldade em engolir a saliva, também seria esquecida. Ela não percebia que os fantasmas e suas correntes não a espantavam mais. Nas vezes em que foi obrigada a permanecer em cavernas escuras aprendeu a cavar a pedra à unha. Depois de um tempo, os cortes do arame farpado cicatrizavam com um sopro. Ela ainda não entendia que as coisas e as pessoas somem de vez em quando para reaparecer, quando menos se espera ou se procura, no fundo de uma gaveta, como um pé de meia perdido. ************* essa foi a crônica que chegou até a fase estadual do mapa cultural de literatura, mas não levou. conheci alguns cronistas, contistas, poetas perdidos pelo interior do estado. também por isso, valeu a pena. |
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