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:: 28 de maio, 2008 ::
um sonho?

tomavam banho juntos. ele a ensaboava quando viu um ponto, uma espécie de abertura ao lado do seu seio esquerdo. limpou a espuma e descobriu que por ali era possível enxergar dentro e através dela.

aquilo ficou povoando sua mente por bastante tempo. o suficiente para perceber o quanto se conheciam. de outras vidas talvez. e agora que tudo estava esclarecido podiam seguir. descompromissados.

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:: 25 de maio, 2008 ::
ídAlos...

O 2° Festival Pop de Cinema de Itapeva se encerrou ontem com um saldo altamente positivo: mais de duas mil pessoas acompanharam, nessa semana, as oficinas e as mostras de curtas brasileiros, um trabalho lindo do cineasta e ator Rafael Primo, itapevense ilustre que se deu bem lá fora e tem trazido pra terrinha um pouco do sumo da laranja. Olho pra cara dele e vejo os olhos de dona Rita que, de onde estiver, certamente está velando por seu menino talentoso.

Junto com ele, na mesma trupe e também fazendo nosso coração bater orgulhoso, Guilherme Gorski, filho da Valéria e do Zé, meus queridos amigos. Guilherme é o Duda Nascimento, o cineasta de Duas Caras, a novela da Globo.

Além deles, o Ricardo Tozzi que, até então, eu nem sabia que existia, mas Gi e a galera dela sabiam sim e fizeram o maior tumulto quando o “gato” apareceu. Tietagem explícita! Loucura total! Gritaram, correram, amontoaram, tiraram fotos, beijaram, abraçaram e pegaram autógrafo do moço, sabe onde? No único papel disponível que eu tinha na bolsa: a oração de Santo Expedito, aquele das causas perdidas.

Eu ainda saboreava os curtas Ilhas das Flores e Amassa que elas gostam enquanto a meninada quase tinha um ataque histérico por conta do galã. Tá, ele é lindo e gostoso mesmo. E ter a oportunidade de agarrar um ídolo é tudo o que a gente quer quando tem 12, 13, 14 ... quase 45 anos. Hehehe...

Sabe o que é uma pessoa descontrolada? A Gi ao lado do Tozzi:

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Enquanto isso, no reino da Paulicéia Desvairada, Lu estava a “um metro e meio do Miyavi, entende isso?”, disse-me ela ao telefone, rouca e completamente cansada, depois de ter ficado desde as 8 da manhã na fila pra assistir ao show do seu ídolo, o roqueiro japonês.

Sabe aquela coisa de que fazer feliz a quem a gente ama, faz a gente ser feliz também? É isso.


:: 23 de maio, 2008 ::
o último feriado prolongado do ano...

Sexta-feira do “último feriado prolongado do ano”. Começo a ficar com medo dos repórteres. A cada edição eles insistem em me lembrar isso. Ah! Vão passear, aproveitar os dias de folga pra fazer alguma coisa, uai!

Eu, por exemplo, hoje coloquei tudo pra tomar sol aqui em casa. Inclusive eu. Até ria, desacreditando daquele azul do céu e do calor na pele. Lavei almofadas, colchas, tudo que envolve. Bati tapetes, tirei poeira, mudei as coisas de lugar. Acendi um incenso. E uma vela. Reconheço. A fé volta a vibrar mais forte. Tem um ar diferente nesse espaço. E um sentimento que eu ainda não conhecia.

Não. Não sei dizer se é amor, se é delicia, desapego. Parece ser uma vontade com direção voltada para o chão. Para minhas raízes. Sugo.

A única coisa que permanece a mesma é esse gato gordo que “decretou”:

- eu posso dormir na sua cama quando tem uma colcha nela, minhéééééuuuuuuuuuuu ????

Duas noites atrás saí na varanda pra olhar a lua (capítulo à parte pra essa lua cheia né? Tá tão linda que nem consegui escrever sobre), o coiseto foi atrás e zupt, pro mato. Os cães já estavam soltos. Conclusão? Ele não teve peito pra voltar pra dentro com três feras deitadas na porta. Até tentei chamar, deixei a janela semi-aberta, mas ché! Dormiu pra fora e quando ele chegou na manhã seguinte, quase não acreditei. Achei que desta ele não passava.

- Passou, mas agora só tem mais 6 vidas, ta? – eu.
- Sua monstra! Nem pra me salvar daqueles tiranossauros rex!!! – ele.

Mas voltando ao “último feriado prolongado do ano”, prometi pra mim que faria um escondidinho de carne seca. E fiz! E ficou magnífico! E eu comemorei muito que sei fazer escondidinho e que ficou bom bragarái. (brigada por todas as dicas via emeésseêne, Manitcha!)

Além disso, entre ontem e hoje quebrei dois paus. Um com o casal que se aboletou na poltrona de n° 15, que era a da Lu e outro com o senhorzinho que resolveu tacar fogo no mato seco ali do lado da cerca. E a fumaça ía pra onde? Pra tudo que estava tomando sol. Inclusive eu. Conclusão? Lu pegou as poltronas do lado e viajou folgadona e sozinha. O senhorzinho? Teve o bom senso de apagar as chamas. (Junto!)

A gente precisa aprender a reclamar mais mesmo. Não gostou? Não acha certo? Não concorda? Fale! Tá, não precisa quebrar o pau feito eu. Mas, na medida do possível da gentileza, falemos! Não tem aquela história de sermos sinceros primeiramente com a gente mesmo? Então é praticar. Quando? Sempre.

Veja bem! Hoje é o segundo dia do “último feriado prolongado do ano” e eu já sei jogar Guitar Hero! Não é o máximo? Quer dizer, sei jogar é modo de dizer né? Venci mais um medo. Morria de medo de vídeo game. As meninas jogam aquilo tão se coçando, tão conversando. Eu preciso quase parar de respirar pra conseguir me concentrar. Mas vou ficar fera!

Quero aprender! Quero falar inglês, fazer o Caminho de Santiago, conhecer a Europa, esquiar, bater tambor no Pelourinho, ir à Lua. Quero saúde. Alegria. Sonho.

E querem saber, senhores repórteres (‘tão trabalhando né? por isso esse azedume... ‘tendi...), eu tenho férias antes do próximo feriado prolongado do ano. Babaram?

Além do mais, minha amiga Aline Maria quebrou o orçamento do mês e fez uma ligação interestadual pra mim. Têm idéia do privilégio? Realmente sou um ser abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que belê!

Ah! Tenho um recado do administrador para os leitores que gostam de comentar. A caixinha tá fechada por conta de uma invasão de spam-pornô. Sabe gente que não tem nada pra fazer no “último feriado prolongado do ano”? Logo volta ao normal. Tudo sempre volta ao normal.


:: 20 de maio, 2008 ::
né?

apostei corrida com um avião, daqueles que largam um rabo de fumaça lindo no céu, hoje de manhã.

achei a maior graça porque, na minha perspectiva, a vencedora fui eu!

realmente, como disseram todos os meus professores de física, tudo depende do referencial. TUDO!

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:: 17 de maio, 2008 ::
a proposta é melhorar...

Não acordei bem. Fiz café, catei um tanto de bagunça e acabei voltando pra cama. Havia um espaço muito grande aqui dentro, onde nem eu mesma saberia apontar. Não era apenas entre o estômago e o coração. O vazio praticamente tomava conta do quarto todo.

Tentei contato com meus irmãos de luz. Tentei rezar. Mas pensamentos - rápidos e rasteiros - ganhavam da minha letargia com larga vantagem. Devo ter cochilado e quando finalmente decidi que era hora de me colocar em pé, a manhã já tinha passado inteira. A solidão era total. Permiti a entrada do sol pela janela e me deixei ficar, redesenhando as estampas das fronhas.

Liguei a máquina de lavar e para lá foram as roupas de todas as camas. Aproveitei para colocar os cobertores e edredons no varal. Travesseiros também. Ia e vinha do quintal para dentro automaticamente, pensando que as meninas teriam ensaio da banda no mesmo horário em que eu estaria na Sala Verde, lá na Mata do Carmo.

O universo conspirava e eu respirava, ansiosa por não saber o que encontraria por lá. Não demorou muito pra eu descobrir. O que me esperava lá era o que faltava para ocupar aquele espaço vazio que me incomodou mais cedo. Depois de uma caminhada silenciosa pela trilha, dentro da mata, nos sentamos em círculo, no salão, para falar da nossa capacidade de não nos transformarmos naquilo que os outros querem.

Também falamos da importância do respeito a si próprio e aos outros, de não nos violentar (ahá!), de sermos sinceros conosco, de preparar o terreno - o nosso - para ali semear o que acreditamos, transformando-o num jardim belo e bem cuidado. O sonho de consumo de todas as borboletas.

Aprendi que há quatro coisas que já nascem com a gente: a dor, o sofrimento, a solidão e a morte. Vem no contrato, carimbado e assinado. Conforme nos posicionamos diante das situações da vida, podemos passar por isso tudo sem tantas sequelas.

Adivinha? Saí de lá melhor do que cheguei. E é essa a proposta! Sem contar a gostosura que foi a tarde cair e noite chegar dentro daquele pedacinho sagrado da Mata Atlântica. Brigada Deus!

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:: 15 de maio, 2008 ::
pois bem...

Não ganhei o Mapa Cultural de Literatura. Minha crônica não passou pelo crivo dos jurados. Não será isso que me fará parar, ao contrário, estou com um gás totalmente novo e acho que nunca mais serei a mesma depois de tudo que me aconteceu nessa semana.

A reflexologia na segunda-feira já dava mostras de que o vulcão entraria em erupção. No dia seguinte participei da Oficina da Palavra - Crônica - um olhar sobre o cotidiano - na Estação Cultura. Além do reencontro com a querida Cris Bongiovanni, nossa orientadora, passei uma tarde totalmente diferente das que tenho vivido ultimamente.

"Cada um com suas armas, a nossa é essa: esclarecer o pensamento e por ordem nas idéias". (Antonio Cândido)

A primeira frase do texto era essa. Putz! PUTZ! Ordem nas idéias é só basicamente tudo o que tenho buscado. No final do dia, ao me despedir da Cris, ela me convidou pra um grupo de estudos, no sábado, sobre um filósofo muito doido, o Jean Yves Leloup que disse no seu texto Amar, apesar de tudo que: “Todos nós, em uma ou várias vezes em nossa vida, tivemos de enfrentar impasses. Impasses amorosos, impasses de relacionamento, impasses familiares, impasses profissionais, impasses espirituais... O trabalho de cada ser humano consiste, então, em transformar em caminho o impasse ou beco!"

- Se não nevar, vou... - disse a ela, respondendo também à sua pergunta carinhosa que tenho estado no (meu) limbo, ao que ela acrescentou: - recolher-se, às vezes, é necessário.

Tantas coisas ditas naquela tarde, somadas às tantas outras possibilidades de fazer da escrita mais que um hobby, um hábito e também uma maneira de me comunicar melhor comigo e com o mundo, me fizeram entrar em parafuso. Pára tudo, né?

Parei. Pensei. Hesitei em tocar o teclado, lembrando de como deve ser a estrutura de um texto, como devo distribuí-lo pelo espaço, rechear com quê, acrescentar, sintetizar, alongar.

"Ninguém é capaz de escrever bem, se não sabe bem o que vai escrever" (Mattos Câmara Jr.).

Pois bem! Sobre o que quero escrever? Quero ser o olhar atento que vê além do cotidiano? Quero contemplar apenas? Informar? Dividir? O que tenho pra dizer que ainda não disse? Que ainda não virou lava incandescente e foi cuspida de dentro de mim?

E se o que tenho a dizer é que Luiza achou um filhote de gato na rua e quis fazer sua boa ação do dia, trazendo o bichano pra casa? E que eu - espumando - disse não, com todas as letras, e a fiz correr ao pet shop, que cobrou 15 reais pra "adotar" o coiseto?

Talvez o que eu tenha a dizer é que tive de tirar esses dias de licença pra sarar uma gripe fenomenal, daquelas que ficam no vai e vem, mas que agora veio pra ficar, me pegando de calças curtas (nesse frio!) e com a imunidade quase no zero.

Poderia ainda falar sobre as inúmeras interrupções feitas por Giovana, ontem, enquanto tentava fazer o exercício proposto pela Cris: a partir de um texto, desenvolver uma crônica. Quando eu achava o fio da meada, ela vinha lá da sala, saltitante, perguntando quando eu poderia lhe dar uma máquina digital. Ui.

Ou então comentar sobre a incrível aula de balance que fiz hoje, que é um misto de alongamento, tai chi chuan e pilates, da qual eu saí certa de que cresci, no mínimo, uns três centímetros. Sem contar a alma que transbordou, como eu já previa, em lágrimas quentes escorrendo pra dentro do meu ouvido. (Isso só acontece comigo? Quando você chora, de barriga pra cima, suas lágrimas acabam dentro dos seus ouvidos?)

Pensando em tudo isso percebi que tenho um olhar sobre o cotidiano. Sempre tive. Mas agora ele está diferente. Eu estou diferente. Venço o medo do teclado e esparramo palavras pela tela branca. Com todo o cuidado que elas merecem.


:: 13 de maio, 2008 ::
sensações...

no meio da sessão de reflexologia, faltou luz. acenderam as estrelas no teto. nenhum outro som a não ser as risadas das meninas brincando com o fogo das velas.

lá fora, a lua metade crescendo fazia da noite um dia branco e frio. estrelas reais pintavam o negro céu. enrolei o cachecol mais perto do rosto e meu hálito quente reverberou aquecendo os lábios, o nariz, os olhos.

deitei no sofá da sala ouvindo a conversa das meninas. ameacei participar, até tinha umas coisas a combinar com elas pra hoje, mas eu não cabia naquele momento. permaneci olhando o teto, envolta em pensamentos de gratidão e compreendi que muitas vezes o melhor que fazemos é sair de cena.

quando deram pela minha falta levantei uma das pernas atrás do sofá. a luz voltou. alheia à agitação delas, prossegui no meu interior, buscando mais objetos de decoração guardados e esquecidos em meus baús. eu - e somente eu - devo e posso decidir o que combina comigo.

não viver em função, mas ao lado.
não ser o centro, mas o bastidor.
não esperar volta.
não gerar expectativa.
e, ao mesmo tempo, ter sede de prazer.
incondicional.

cafe.jpg


:: 10 de maio, 2008 ::
responda...

olho para o fundo da xícara de chá metade vazia
aperto-a entre as mãos retendo o calor
ainda tenho o corpo quente do banho demorado

me dei de presente tapetes secos para os pés
toalha felpuda e cheirosa para a pele

tento entender porque desperdicei tanto
tempo, papel, palavras, pensamentos, sentimentos
tento entender minhas escolhas

por que me economizei?


:: 08 de maio, 2008 ::
adianta?

Passo os olhos pelos jornais e vejo que o mandante do crime contra a freira foi absolvido, que Dilma finalmente pode desabafar que foi torturada na época da ditadura, que o casal de assassinos "pré-pós-tudo" foi preso e que o fenomenal caso de Ronaldo com os travestis vai virar filme. Ah sim! Os índios continuam sendo baleados lá na selva.

Ou seja: pra ficar famoso nesse nosso país há que se fazer uma bela cagada, das grandes mesmo. Nada de curso de inglês, espanhol, pós-graduação em gestão não sei das quantas, trabalho voluntário ou militância em uma ONG qualquer. O lance é ser macabro, pestilento, mau, sacana, mentiroso no mais alto grau. Essa é a receita para virar uma celebridade instantânea, com muitas possibilidades de ganhar uma boa grana em cima disso.

Ainda absorta em meus pensamentos o telefone toca e é lá de casa, a Gi me dizendo que acha que está com febre. Volto instantaneamente à [minha] realidade. Lu também tá super resfriada. Mas adianta pedir pra colocarem chinelo depois do banho?

Adianta prenderem os assassinos, os torturadores, os mentirosos?

Adianta mandar mail, telefonar, pedir arrego, admitir erros?

Que coisa estranha é essa história de que oquenãotemremédioremediadoestá. E, apesar de tudo, ainda ter esperança...


:: 06 de maio, 2008 ::
que mãe sou eu?

Eu peço tanto a Deus pra me dar serenidade e - caramba! - o máximo que consigo ser é uma carreta desgovernada ladeira abaixo.

Não apenas por isso, mas o exemplo que vou dar reflete bem a situação. Todas as manhãs é um sufoco tirar as meninas da cama. O despertador toca às 6 e aí começa minha via sacra de um quarto ao outro: "acorda Lu, levanta Gi" que, no início tem beijo, abraço, desejos de que o dia seja bom, pedidos aos céus de muita proteção pra elas e acaba sabe como? Eu me descabelando ao volante, irritadíssima, porque quase nunca dá tempo de tomarem o café.

Por que? Porque são lentas, têm sono, têm preguiça, não sabem onde estão as meias e as apostílas e - o melhor - Gi resolve fazer chapinha àquela hora da madrugada!!!! É o fim!!!

É. Eu sei que vão dizer: "relaxa Lana, deixa pra lá, são elas que chegam atrasadas à escola". É verdade. Mas quem chega atrasada fica com falta e isso, no final do mês rende no boletim.

Elas não entendem que faço essa gritaria pro bem delas. Eu não entendo que isso tem pouquíssima importância pra elas. Nessa incompatibilidade de valores lá se vai minha serenidade, meu bom humor e dano a falar tanta besteira, tanta maluquice que depois até eu duvido que disse.

Ai meu pai amadíssimo!!! Me ajuda a não destruir meu ninho. Me ajuda a não ser tão severa e tão chata. Me ajuda a ser uma mãe normal. E não esse ser errado, feio, bobo e cara de mamão no qual me transformei. Me ajuda a não ser pãe todo dia, toda hora. Dá um refresco, por favor, tá?


:: 04 de maio, 2008 ::
adoraria...

... fazer a comida.

tempero.bmp

mas falta o teu tempero.


:: 01 de maio, 2008 ::
sei que...


vinho4.bmp

... o vinho tem o teu gosto.