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:: 29 de abril, 2008 ::
líquida...

choveu antes da previsão.
tem coisas que nenhum guarda-chuva protege.
tem palavras que molham mais que chuva.
e não secam nunca.

venho retendo líquido demais.
não tenho estômago [nem alma] de camelo.

gostaria, no entanto, de areias finas e quentes sob meus pés.
uma rota.
subidas, descidas, algumas voltas.
e um destino.
incerto que fosse.


:: 27 de abril, 2008 ::
hoje?

não há nada a dizer quando se tem uma tarde de outono inteiramente sua.

nada.

a não ser a constatação da fina linha que separa a loucura da lucidez.

o passado do futuro.

o coração da razão.

o que tenho hoje?

minhas unhas pintadas de vermelho. framboesa.


:: 25 de abril, 2008 ::
desobediência...

hoje não quero falar sobre o "caso Isabella", nem sobre o pseudo-terremoto, nem que já é sexta, nem sobre a féla da rinite que assola minha alma e me faz praguejar a cada espirro.

o tarot do dia me diz que a inércia é a melhor solução para o momento. que é pra eu não falar nem fazer nenhuma besteira. (ai que coisa difíceeerrrrrr viu?)

tá. então só vou ali no supermercado comprar umas frutinhas e uns pãezinhos gostosinhos pro final de semana e volto. e fico quieta em casa.

agora, se eu me desobedecer e for pro happy hour ou pro cinema ver Juno e/ou O Caçador de Pipas tem perigo de eu me colocar de castigo?

veremos.


:: 22 de abril, 2008 ::
reflexos...

muita coisa do que ele falou eu já sabia.

"você está angustiada, se sente culpada, acha que carrega mais peso do que deveria (ou poderia)... o mundo perdeu a cor, tudo está cinza, não encontra saída e isso a irrita profundamente... tem vontade de mudar o rumo, de sumir, de transformar essa realidade em algo menos triste... está no olho do furacão e perdeu o controle de praticamente tudo."

dizia isso mapeando os pontos dos meus pés, apertando firme e perguntando o tamanho da dor que eu sentia.

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"deixe essa sua lágrima cair. são tristezas que precisam sair. verbalize, expresse, você é apenas e tão somente um ser humano e tem todo o direito de reagir àquilo em que o seu mundo se transformou".

perguntei se ele tinha olhado o céu na noite de domingo. comentei que era a quinta lua cheia sem meu pai e que esses têm sido os tempos mais difíceis que já vivi. e olha que já comi grama e não foi pouca.

"do pouco que conheço você e sua história, sei que tem feito sua parte. existe uma força imensa aí dentro. use-a a seu favor".

eu já sabia de quase tudo isso. essa sessão de reflexologia não programada pro meu feriado de Tiradantes, foi como um colo quente num momento de grande tensão.

o terremoto que eu precisava veio.
de fora pra dentro.
ao avesso.

dizer que isso me equilibrou? ao contrário. estou mais mexida do que antes. continuo à deriva, sem bússola. de um lado o deserto, do outro o oceano. é minha sobrevivência que está em pauta, batendo entre a areia e a água.

a ordem é não me afogar. principalmente em mim mesma. teimo.


:: 20 de abril, 2008 ::
encontro...

tem dias, como esse domingo com cara de sábado, que me dá a maior vontade de sair pra me encontrar.

hoje só um terremoto me salvaria.
mas tinha de ser dos grandes.

sei que esse é o preço que pago pelas minhas escolhas.
e não me arrependo.

continuo sendo a minha melhor companhia.


:: 18 de abril, 2008 ::
somos dois negros gatos de arrepiar....

hoje nem seria um bom dia pra falar sobre eles porque não sei qual dos félas resolveu usar a caixa de revistinhas como banheiro. féla! FÉLA!

fora esse pequeno incidente e meus novelos de lã, que eles teimam em desenrolar e transformar numa peruca doida, posso dizer que esses coisetos pretos de olhos verdes já fazem parte da família.

tô falando do Acey...

Acey2.jpg

e do Yuu...

Yuu2.jpg

... que pra mim são rabo curto ou gordo e rabo comprido ou magro, respectivamente. definitivamente não sei falar japonês.

Lu fica doida, pois como "mãe", acha que chamar os filhotes por outros nomes poderá acarretar uma grave crise de identidade nos bichanos.

hurum!

com a chegada dos coisetos em casa, houve uma pequena revolução, como não poderia deixar de ser. a princípio ficaram na lavanderia, mais precisamente embaixo da máquina de lavar. aterrorizados com nossa presença, presumo.

aos poucos fomos abrindo as portas, as janelas, prendendo os cachorros e não deu outra. ou melhor, DEU-SE A DESGRAÇA!

durante o dia, eles reinam absolutos, dentro e fora de casa, chegando a cochilar esparramados na réstia de sol que bate na minha cama de manhã. vão pro jardim, pro quintal, fuçam tudo e... somem... é um custo trazê-los pra dentro, pra não virarem comida peluda de cães.

outro dia tentei com que os laços entre eles e Totó se estreitassem. tava na varanda cortando as franjas das samambaias, os gatinhos por ali e Totó doido, preso na corrente do pilar.

- ó Totó, vai por mim, cara! melhor ficar amigo deles porque, pense só que delícia, no inverno, você pode usá-los como casaco e cachecol...

ele olhava pra mim, pensando alto:

- que se dane o casaco e o cachecol! tenho que manter a minha fama de mau... grrrrrrrrrrrr...

eu sei que, se conseguirmos ultrapassar algumas barreiras de raça, instinto e tempo, eles acabarão sendo grandes amigos. e viverão felizes, para sempre. questão de escolha. e quanto a isso, não temos controle. por enquanto, continuamos fechando portas e janelas quando é a vez dos cães ficarem livres, leves e soltos.

mas se fizerem xixi errado de novo... viro bicho e arrepio! 'tenderam bem?


:: 16 de abril, 2008 ::
estou ficando véia...

A tal da massagem com óleos vegetais, minerais e quiçá animais foi ontem. Passei mais de duas horas entregue às mãos mágicas de Senhorinha, uma pernambucana arretada, perdida há muito tempo por estas bandas. Ai ai. Foi simplesmente sensacional. Saíram bem mais que células mortas do meu corpo, que foi devidamente esfoliado e umectado. Me senti um bife. De filé mignon, claro.

Primeiro ela trata o "lado b" e coloca filme plástico. Daí a gente vira com o "lado a" pra cima que também é emplasticado. Vem um monte de mantas pra gente não virar picolé e a coisa começa a esquentar. Sabe aquela história de fritar no mármore? Parecidinho.

Enquanto a operação "redução de medidas" se dá, vem a limpeza de pele com direito a máscara de cacau, chocolate e ouro. Aquilo vai secando e esticaaaaaaaaaaaando que dá até nervoso. Quase que fico linda, loura e ... japonesa.

- espera umas 3 horas pra tomar banho, tá querida? esse produto é termo-energético...

- ah tá, periga eu escorrer pelo ralo, é isso?

Pode ser que seja só impressão, mas a barriguinha que ficava "pegando" no cós da calça já não existe mais. Acho que o treco resolve mesmo. Fiquei fã.

massagem.jpg

Falando nisso, hoje fiquei muito fã de mim mesma. Contrariando todas as expectativas, inclusive as minhas, tomei uma atitude de manhãzinha que me fez rir (de mim mesma) o resto do dia. Tanto pela minha ousadia (leia-se "cara de pau") quanto pela minha simplicidade (leia-se "adolescência retardada"). Sério! Fiquei fã. E eu só tinha ingerido café. Sem nada de querosene.

Moral da história: estou entrando na envelhescência. he he. pretendo e admito ficar véia, mas acabada? nunquinha! he he ...



:: 14 de abril, 2008 ::
em caso de dor, escreva...

Estive na capital final de semana. Motivo? Final do Mapa Cultural Paulista - Edição 2007/2008, no Museu da Língua Portuguesa. Quem ainda não conhece, por favor, conheça! É um lugar mágico, onde a história da nossa língua é contada de uma maneira muito brasileira: forte, clara, objetiva e ao mesmo tempo, lúdica. Será preciso dizer que chorei pelos corredores, sozinha, bebendo trechos de textos de Fernando Pessoa, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade???

(... gosto de sentir a minha língua roçar na língua de Luís de Camões, gosto de ser e de estar... C.V.)

Chorei mesmo. Sem vergonha nenhuma da emoção quente que lavou meu rosto. Minha alma. Meu coração. Às vezes olhava pelas janelas e lá estavam o Parque da Luz e a Pinacoteca embaixo de um céu azul com meia lua crescente.

(... meia lua inteira, sopapo na cara do fraco, estrangeiro gozador, cocar de coqueiro baixo, quando o engano se enganou ... C.V.)

Uma coisa porém me deixou bastante decepcionada. Uma não, duas. A primeira foi que não revelaram quem são os 15 finalistas de Literatura (poesia, conto e crônica), cujos textos serão publicados em uma antologia. Isso ficou para o mês de maio, no Memorial da América Latina (outro lugar mágico que quero e preciso conhecer).

A segunda decepção foi ouvir dos jurados que nenhuma das crônicas concorrentes (entre elas, a minha!!!) fala de coisas regionais, canta sua terra. "Percebemos que os cronistas do interior do estado estão mais preocupados com a universalidade dos fatos e não com o seu cotidiano", disseram.

Na hora me deu vontade de levantar e dizer: como assim???? vocês não leram o que eu escrevi!!!! Mas minha timidez (pra não dizer minha jequice) me impediu e, quando o debate começou a cair no vazio da universalidade, me retirei. Indignada!

E pra curar minha indignação, fui beber chopp escuro e comer espetinhos de beliscos no Assim, Assado, com Arlete e Jota. Por falar neles, não poderia deixar passar em branco a acolhida que me deram. Desde a Itaipava gelada à minha espera, o pote de amêndoas, damascos, nozes, o papo quase atravessando a noite com Arlete, o quarto do Théo só pra mim (ai que cama boooooaaaaaaa!!), os sorrisos de Mari, Tassi e Thaís, os sonhos de Jota (esse itapevense ilustre que foi lá e mostrou que é bom no que faz) e os incríveis e maravilhos cães: Nino, Cacau e Liz - os cachorros mais inteligentes e humanos que eu já cruzei na vida.

Arlete, a general da banda, conduz com maestria esse povo todo. Apenas se perde um pouco no trânsito de São Paulo, uma vez que é jeca de carteirinha. Mas esse detalhe nem devemos levar em consideração, porque ela é jeca, mais é jóia! (YA YA YA YA YA YA YA...)

A crônica " O Pé de Meia " - que me levou a passar um dos finais de semana mais energizantes dos últimos tempos - recebeu as seguintes críticas dos jurados da fase regional:

"Vale incluir este pé de meia perdido no pacote geral." (L. Guedes)

"Além do domínio na construção da narrativa, tem domínio poético, muito bom!" (M. M.)

"A autora conhece o ofício da escrita mas seu texto está mais para conto que para crônica. De qualquer forma vale louvar a riqueza de suas observações do cotidiano, que em geral ela faz com muita propriedade." (Vladyr Nadla)

Resta aguardar as impressões e os critérios dos jurados da fase estadual. Um deles, o cronista Marcelino (Vieira, acho) disse, durante a conversa conosco, uma das coisas mais bonitas que já ouvi: "se doer, escreva..."


:: 11 de abril, 2008 ::
e...

não é que hoje já é sexta???

ó. meu horóscopo tá sugerindo que eu mude a rotina, que me entregue ao lazer (que rima com prazer) e à diversão (que rima com emoção).

eu leio e obedeço.

fui.

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:: 09 de abril, 2008 ::
curtas...

- falei ontem de manhã com a doutora. ela me deu a feliz notícia que os resultados dos meus exames estão todos ótimos. devo durar mais uns 40 anos, no mínimo! não adianta espernear. vão ter que me engolir e ponto.

- tô preocupada com minha memória. ela tem dado umas falhadas feias. principalmente com números.

- há muito tempo não ria tanto no msn como ontem à noite com Claudia Maria, Regina Maria, e Aline Maria. putz!!! delícia rir da gente mesma.

- falar nisso: PARABÉÉÉEÉÉNNNSSSSSSSSSSS PARA A RÊ!!! (é amanhã, mas e daí? já cantamos ontem. custa cantar hoje também? custa?????)

- numa outra conversa, com outra Rê (Regianne, a flor de Montes Claros) chegamos à conclusão de que uma das melhores coisas desse mundo é perceber, no meio de uma tarde de outono, que o tempo passa. arre!!!

- que lua nova era aquela no céu ontem? ui!

- ganhei um brindaço pra semana que vem: massagem com óleos vegetais, minerais, quiçá animais (hahahaha), esfoliação e limpeza de pele. já comecei a babar.

- e ... não é que amanhã já é quinta????


:: 07 de abril, 2008 ::
tudojuntoagoranesseinstantejá!

Sabe uma semana ba-ti-cum-bum? É essa! Além do lesco-lesco normal, sessão de câmara notúrnica, começaremos com a inauguração da "sala verde", na Mata do Carmo, um pedaço da Mata Atlântica que temos aqui na terrinha.

A Fundação Planeta Terra fez que fez e conseguiu não apenas resgatar e preservar o lugar, mas principalmente transformá-lo em um patrimônio ecológico da cidade. Ali tem minas d'água potável, fauna, flora e um silêncio tão absolutamente natural que brota na gente uma paz imediata. Retorno às raízes, certamente.

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, em seguida vamos plantar mudas de árvores no Centro de Eventos, o famoso "grande nada". Maravilha! Sempre achei que faltava sombra lá pra gente caminhar. Vou aproveitar e pedir pra colocarem uns bancos espalhados pelo gramado, pra quem procura um lugar gostoso pra ler ou, simplesmente, olhar o céu.

E pra marcar o Dia do Jornalismo, haverá um workshop com Paulo Henrique Amorim, via satélite, no mesmo horário da inauguração. Putz! Eu queria participar, mas estarei lá "cerimoniando" a sala verde.

Assim é minha cidade. Quando as coisas acontecem, é tudo no mesmo dia, na mesma hora, já!

E só pra não dizer que não falei das flores:

- encerrei a mudança das salas lá em casa e ficou aconchegante pacas.
- as meninas estão em semana de provas e só eu fico nervosa com isso.
- achei um esmalte que tem cor e cheiro (é!) de framboesa.
- minha relação com os coisetos pretos de zóios verdes tá cada vez mais intensa. em breve, post especial sobre o assunto.
- continuo indignada e bestificada com o "caso isabella". ontem, após a entrevista da mãe da menina me passou pela cabeça que ela própria (a mãe) pode estar envolvida. acho que tô ficando maluca de vez.
- falei mais um monte de verdades que estavam me incomodando, mas ainda tenho o que vomitar.


:: 04 de abril, 2008 ::
game over...

Há dois meses venho anotando na agenda todos os meus compromissos, desde telefonemas a dar, contas a pagar, consultas a marcar, remédios a comprar, reuniões aqui e acolá e, como num jogo de video game, tenho que "vencer" no final do dia.

Isso tem me ajudado a não esquecer de comprar barbante lilás pra crochetar uma cortina pro meu quarto, cadarço pros tênis e tinta pro cabelo. Tô olhando aqui que pra semana que vem tenho de ligar no dentista marcando a santa limpeza, ir à CEF pegar uma senha pra dar entrada nos meus resíduos do FGTS e pegar a calça de uniforme da Gi.

Fico felizona da vida quando consigo colocar "ok" em todos os itens. É a maneira que arrumei de me forçar a não dar mole pra preguiça. É, porque se bobear a gente fica olhando pra ontem e daí, babáu.

A palavra é organizar. E assim, equilibrar.

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:: 01 de abril, 2008 ::
Doa a quem doer...

Hoje de manhã minha mãe veio agradecer a conversa que tivemos ontem. Disse que dormiu muito bem por conta das coisas que falei a ela.

- jura, mã????
- ahã. fale sempre viu? preciso que você fale essas coisas pra mim...

O que foi que disse a ela? A verdade, nada mais que a verdade, toda e somente a verdade!

Isso me dá (mais uma vez) a certeza de que, pode doer, mas dizer a verdade não mata. Ao contrário. Faz viver. Faz acontecer. Nos tira a angústia, o peso, o desconforto de tentar prosseguir desviando os olhos daquilo que mais precisamos encarar.

Fora isso, minha rinite continua atacada. Pudera! Eu continuo atacadíssima, mudando tudo de lugar em casa. Espirrar poeira agora faz parte do meu cotidiano. Ando numa ânsia de transformação que chega a me dar calorão. Será menopausa? Creio que ainda não. Creio que é só aquela minha velha mania de acreditar que um copo pela metade está meio cheio.

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