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:: 31 de dezembro, 2007 ::
as horas...
dormi mal a última noite do ano. parecia que todas as encrencas resolveram me visitar, pra deixar bem claro: ó, eu existo sim. viu? não é coisa de sua imaginação... vai ver era o calor que não sossegou nem mesmo de madrugada, que foi quando me peguei fazendo uma coisa que só fazia nos meus picos de ansiedade: devorar um pacote de waffer vendo nada na tv. vou levar minha mãe pra colher sangue. o médico quer ver o resultado na quarta-feira. são 07h38 da última segunda-feira de 2007. ô coisa demorativa pra passar. já deixei a carne descongelando e o trigo no molho. vou fazer um quibe pro almoço. quero descrever esse dia em doses homeopáticas. vou, mas volto. ************** 08h31: laboratórios fechados. tudo bem, fazemos na quarta. deixa o último dia do ano ser inútil. vou até o grande nada andar ao sol pra depois poder beber minha cerveja sem culpa. hahahahaha. eu vivo me enganando. até nisso. deixei as lentilhas de molho também. ************** 10h17: prontículo! agora já tenho minha licença-cevada. andei e pensei e pensei e andei e depois das rezas pedi pra que eu possa continuar a dar minhas 10 voltas diárias. gosto demais desse momento do meu dia. vou tomar uma baita bica na cabeça e temperar o quibe. com requeijão no recheio, né manitcha? 14h11: pelamorrrrrrrrrr que caloorrrrrrrrrrrrr!!! cabei de tomar a seiláqual bicada na cabeça. o quibe ficou divinérrimo e a lentilha também já tá pronta. fiz as pazes com as panelas e o fogão e ando numa picação de cebola e espremeção de alho que dá gosto até. adoro o cheiro do tempero no ar. vou levar a Gi na casa de uma amiga e aproveitar pra fazer um tchigum na piscina da tia onde será a festa de logo mais. enquanto lavava a louça e ajeitava tudo lembrei do que a Lu me disse ontem. algo mais ou menos assim: - e a parte boa não compensa a ruim? heim? que me diz? 19h08: a piscina tava boa. agora é tomar meu banho restaurador de beleza e escolher um vestido. laranja ou branco? salto ou rasteirinha? depois da festa na casa da tia, tem bailão na piscina do Itapeva Clube. vou ou não vou? caso ou compro uma escada? vou abraçar todo mundo ou fico em casa dormindo? tenho ainda algumas horas pra definir exatamente o que eu quero. e é assim que vou pisar em 2008. fazendo o que EU quero. com licença.
:: 27 de dezembro, 2007 ::
você quer ser gentil e ...
... se ferra, né? tava eu indo pra casa agora, na hora do almoço quando, parei numa esquina pra dar a vez pra uma viatura da polícia atravessar e... blam... levei um beijo na bunda, de um outro policial, este à paisana. sorte que estávamos praticamente parados e ele só encostou, maaaaasssssss... quebrou o párachoque. imediatamente ele propôs que fôssemos a um funileiro, comprar a peça para trocar e com isso, foi-se minha hora de almoço. cheguei em casa esbaforida de calor, maaaaaaaasssssss, ele pagou todo o estrago. amém! banhei, comi um inhaquissoba rápido e tô de volta pra preparar a última sessão de câmara do ano, que papai noel me deu de presente. véinho bonzinho, né? uma flor de criatura. agora é torcer pro falatório não se alongar muito (doce ilusão), pra dar tempo de eu pegar o final do aniversário da minha tia. e depois uma quirera com suan (ãn?) que vai reunir vários e vários itapevenses perdidos pelo mundo, de passagem para as festas de final de ano. isso porque ontem, eu e meu irmão, depois de andarmos por quase uma hora e meia no grande nada, fomos tomar uma cerveja no bar são paulo pra hidratar. daí que foi chegando um, outro, uma e outra e quando vimos era hoje e... bom, o resto já dá pra imaginar. tô aceitando doações de palitinhos pra segurar meus olhos. aaaaiiiiiiiiiiiiii que sono dusinfernos! que Deus me ajude, né? e tem mais! (é! mais!) meu lindo celular modelo caixãozinho azulzinho bateu com as 10. bem na véspera de natal. e ele nem tem cara de peru. pois foi. morreu de morte morrida e até tentei ir à loja dar uma carga no pobre pra, ao menos, recuperar minha agenda e ler uma eventual mensagem de natal. blé. nada feito. aqui jaz mesmo. catei um caixotinho velho da Gi que, pra minha surpresa, ainda tinha crédito! uaaauuuuuuuu!!! e é com esse que eu vou sambar até cair no chão. por que quem é do mar não enjoa, não enjoa. chuva fininha é garoa, é garoa. boas festas!
:: 23 de dezembro, 2007 ::
banho...
de bica faltou a cachoeira e o rio mas de papo furado, conversa fiada e pra boi dormir chegou a sobrar satisfeita, obrigada!
:: 21 de dezembro, 2007 ::
conseguimos...
O ano tem quatro estações, 12 meses, quase 50 semanas, 365 dias, várias e várias luas e ontem, justamente no dia da formatura da Lu, me ataca a rinite alérgica, daquelas que me colocam literalmente na horizontal, porque se eu tentar verticalizar, o nariz escorre. O mais irritante desse troço é exatamente a “escorreção” sem fim. Um olho e uma narina. Tudo do lado esquerdo. Socooooooorroooooooooooooo... Nem consegui vir trabalhar à tarde, liguei pro médico das meninas e gemi: - me ajuda... - ajudo! que que manda? - tenho que estar inteira até as 7 da noite... - o que você já tomou? (ele me conhece...) - isso, isso e aquilo... e essa meleca de nariz não para de escorrer!!!! - tá, não toma mais desse, senão você fica chumbada (oba!!!! - pensei com meus botões...), toma daquele outro e me liga em duas horas, pra gente ver se precisa inserir mais coisa. mas fica tranqüila que você vai estar inteira pra festa. - tá. tranqüila né? com esse olho inchado e o nariz em carne viva de tanto ser assoado. tá bom. tô super tranqüila... Resumindo a ópera: consegui ir à solenidade, ficar pro jantar e pro baile. Chegamos em casa às 2 de la matina, sob protestos da Gi, que queria muuuuuuuuuito saracotear até o final. O pai também veio e até dançou a valsa com a formanda. Muito legal mesmo. Todos adoramos! De presente de natal ela pediu – pela 494ª vez - um piercing de argolinha no canto do lábio. Acabou de vir aqui me mostrar. Dá agonia de ver. Mas ela tá feliz da vida, desfilando também seu cabelo roxo pelo calçadão. E como a felicidade dos filhos é a nossa, que assim seja.
:: 19 de dezembro, 2007 ::
suspiro...
enjoada de ver minha cara triste no espelho. dá pra contar quantas rugas se formam em cima das sobrancelhas. umas quatrocentas e noventa e quatro, mais ou menos. abatida. tô sim. mas no meio do caminho de volta ao trabalho, chuva intensa na rodovia, consigo respirar fundo e agradecer. por tudo. devo estar surtando. só pode.
:: 17 de dezembro, 2007 ::
quente...
ontem o palco estava quente e não era um calor comum. dancei tudo o que sabia meu coração. fui uma das últimas a sair, depois de abraçar apertado quem me procurou no camarim. também fui uma das últimas a abraçar a Dê. apertado. suado. chorado. “deu tudo certo... graças a Deus.... amém...”. de volta pra casa, de novo sozinha, me assusto com a lua no fim da rua. linda. o céu é um mar de estrelas. minha voz sai molhada da garganta: foi pra você, pai... chego enxugando lágrimas, desfazendo mochila, me enfiando num longo banho da cabeça aos pés, eternizando a energia que acabo de absorver. faço meu chá, ajeito meu ninho e me jogo nele, de cabelos molhados e alma lavada. foi tudo muito bom.
:: 15 de dezembro, 2007 ::
pra você...
passar um vestido longo de cetim, elastano e voal não é uma coisa muito comum pra mim. foi meu desafio de ontem, pra virar condessa no balé. azul. com capa e tudo. me senti a própria Cinderela. sério. eu tava mesmo loca de linda, sem nenhuma modéstia. coloquei um aplique no toco do cabelo e, tchanaaaammmmmm, fiquei cabeluda de novo. e com cachos. óóóóóóó geral! foi tudo muito lindo, apesar de todos os contratempos, das maledetas costureiras que não aprontaram as roupas dos meninos e nos deixaram pendurados na brocha. tem nada não. no final era só alegria, muitos aplausos, abraços suados e gritos de 'valeuuuuuu... domingo tem mais'. no meio de toda essa euforia me pego chorando, no palco, ao ver Denise transformada em Giselle. eu sei tão bem de toda a luta dela como professora, coreógrafa, figurinista, contra-regra, relações públicas, diretora de arte, enfim... ela se desdobra. e dança! minha nossa senhora do balé moderno! ela dança de me fazer chorar. (brigada, Dê!) então que sai do clube e fui pro carro carregando o vestido de Cinderela embolado dentro de um saco. tanto tempo pra passar e ... bom. voltei sozinha pra casa. Gi tava dormindo na casa de uma amiga. Lu ficou com minha mãe. foi muito chato não ter quem abraçar na saída. foi muito triste não ter a carona do meu pai. de tudo, o que mais me doeu foi isso. a enorme ausência dele, meu fã número 1. é por isso que decidi dançar. apesar de toda a tristeza, do coração do tamanho de um botão. pensei mesmo em largar tudo pra lá, desistir, esquecer. mas não. resolvi enfrentar mais esse dragão. e dedico esse espetáculo ao meu pai. vou dançar o mais bonito que puder, tá Nardão? com amor, intensamente, pra você...
:: 12 de dezembro, 2007 ::
na rua, na chuva, na feira...
Fui à feira agora cedinho com minha mãe. Pêssego, uva, abacaxi, milho verde... Tanta gente ainda vem nos abraçar, perguntar como estamos, prometer uma visita (que a gente sabe que não vai acontecer). Respondemos que está tudo diferente, tudo de pernas pra cima, mas que “estamos indo”. Enchemos o carrinho com verduras e legumes e paramos namorar a banca de flores. Combinamos de, semana que vem, levarmos 10 reais a mais só pra comprar vasinhos de cactus. Aqueles de miniatura. É uma manhã chuvosa de quarta-feira. Complicado fazer as coisas com chuva. Tudo enrosca: a chave não abre a porta, a sombrinha não abre, a sacola não fica quieta no banco de trás do carro e as laranjas se misturam às beterrabas. Gritamos, eu e mãe: - SAAAAAAAAAAAAAACOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!! E depois rimos de nós mesmas. Do nosso desespero. Da nossa angústia. Da nossa solidão. Da nossa saudade. E vamos nos amparando, planejando fazer uma loucura nas Casas Bahia, semana que vem, quando já vai ter passado a apresentação de dança e a gente vai estar se preparando pra formatura da Lu. Enquanto me arrumava rapidinho pra vir trabalhar, pensava no quanto gosto de dezembro. E no quanto o mês mais bonito do ano passa rápido. Faço uma listinha de coisas que ainda preciso pro ensaio geral de hoje à noite (pó, batom cobre, elástico preto). Tenho que passar na academia pegar minha roupa de condessa e minha máscara de gesso. Daqui até domingo a dança me chama. E eu nem reclamo muito de estar cheia de trabalho, de não ter feito as unhas e as sobrancelhas. Vou na valsa. Em ritmo de salsa.
:: 10 de dezembro, 2007 ::
só eu...
hoje se chover vou no meu compasso nem que me molhe ando cansada e sinto que o fio me deixar levar qualquer das hipóteses não tenho como fugir só quem pode me salvar
:: 07 de dezembro, 2007 ::
salve Jorge...
cantei isso hoje de manhã, embaixo do chuveiro. Jorge sentou praça Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge Armas de fogo Jorge é de Capadócia eu e Caetano. e nas minhas idas e vindas, da casa pro trabalho, aproveito pra chorar. meu anjo da guarda vai na frente. ...pois eu estou vestido com as roupas (fiquei pensando.
:: 06 de dezembro, 2007 ::
me diz?
a cidade começa a se enfeitar para o natal.
pai! cê tá vendo daí como a cidade tá ficando bonita?
:: 02 de dezembro, 2007 ::
dezembro...
Em cinco dias fui a três missas. Posso considerar isso um recorde já que não vejo muito sentido em todos aqueles rituais da igreja católica. Mas quando a gente tem uma boa causa, consegue transformar aquela uma hora de senta-levanta-repete-palavras-sem-prestar-atenção-no-que-está-dizendo em um tempo de oração e de comunhão com Deus. Fora isso, tem feito dias de sol e noite de estrelas. Além de correr atrás de papéis, carimbos, autenticações que possibilitem minha mãe receber a pensão do meu pai, tenho caminhado muito sob o sol. O efeito é imediato: além da melanina que transforma minha pele, meus passos rápidos fazem com que o coração acelere, quase alcançando o ritmo dos pensamentos que viajam na velocidade da luz. Ao mesmo tempo, há uma estática. Nas pessoas e nas curvas do caminho. Há uma expectativa. Uma possibilidade grande, tanto de beco, quanto de avenida. Eu não queria estar na minha pele. Mas estou. E ao mesmo tempo que isso me diverte, também me alucina. Vem dezembro. Vai 2007. Sem olhar pra trás. |
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