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:: 31 de março, 2007 ::
marcas...

Você é uma bela mulher. Uma belíssima mulher. Mas você é uma mulher. Uma mulher que tem as marcas do tempo.

só tenho a agradecer o elogio
e que coisa triste se assim não fosse
se o tempo tivesse passado por mim
sem me tocar
me transformar
me ferir
me sangrar
me acariciar
me devorar
me marcar

quem seria eu hoje
se tivesse me escondido dos temporais
se não tivesse provado os sabores
sentido os cheiros
vivido os pavores?

não
não poderia me reconhecer
se não tivesse pisado a areia movediça
me perdido em desertos
escalado pedras e montes
mergulhado em rios e mares

eu e o tempo fizemos o seguinte acordo:
ele me marca
eu continuo viva
porque alguém tem que sobreviver
pra contar a história

mergulho1.jpg


:: 29 de março, 2007 ::
outro recomeço...

Toda vez que volto, me faço a mesma pergunta: como pude ficar sem a dança por tanto tempo? Então ontem, mexendo na minha gaveta de meias, malhas, colants e perneiras, fechada por mais de um ano, senti de novo aquela sensação boa que a gente tem quando faz o que gosta.

Chamei uma moto, deixei as meninas com os anjos da guarda e lá fui eu, mandando beijos pro céu estrelado e pra lua quase cheia.

Abracei gente querida e suada. Um suor bom! Me perdi nas seqüências de aquecimento, barra, lateral, diagonal. Mas, sem dúvida nenhuma, era a pessoa mais feliz daquela sala.

Achei que fosse amanhecer dura, dolorida, um caco estilhaçado. Que nada! Amanheci passando uma das seqüências da aula na cozinha, fazendo café, e Gi: - caramba, mamãe! que difícil!!!!!

É. O começo é sempre difícil. O recomeço também. Mas não tenho preguiça não. Me ralo por uma boa causa. E essa é sim, uma ótima causa.


danca.jpg


:: 28 de março, 2007 ::
expectativas...

na volta da caminhada, agora de manhã, fiz uma molecagem boa. roubei uma margarida do canteiro da avenida e me dei de presente.

- toma Lana! procê!

borboletaemargarida.jpg


aprendi a não esperar mais nada de ninguém.

é mais saudável e mais fácil não gerar expectativas.

as borboletas aparecem. mais dia, menos dia.


:: 27 de março, 2007 ::
Ainda não...

Algumas coisas me incomodam sim, não posso negar. Comentários maldosos de gente que pouco ou nada me conhece e que se acha no direito de tomar conta da minha vida, por exemplo. Achei que as fogueiras da inquisição já estavam extintas. Mas não.

Passei o dia de ontem no meio da praça, exposta, ouvindo o murmurar da multidão querendo ver sangue e fogo. O sol forte e a falta de sono me roubaram energia. A nuvem negra por pouco não me suga a alma.

Fui salva por alguns pares de olhos que não desviaram dos meus. Que me gritavam em silêncio: TE AMO! Aos quais eu sorria, enquanto o fogo subia.

Passaram hoje pela praça à procura das minhas cinzas. Não encontraram meu corpo. Vasculharam tudo. Não acharam nada. Não sabem que já renasci muitas vezes nessa vida. E que ainda não foi desta vez.


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:: 25 de março, 2007 ::
A Torre Fulminada

O arcano XVI emerge como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Lana, sugerindo que é chegado um importante momento em sua existência: o tempo para romper com tudo aquilo que não lhe serve mais e que você preservava apenas por manutenção de fachadas.

Estas coisas que precisam ser eliminadas podem ser (e geralmente são) internas e têm a ver com hábitos, modelos mentais e expectativas falsas. Mas podem ser também relacionamentos falidos, projetos que não dão em nada, ou seja, qualquer coisa que não faz mais nenhum sentido em sua vida e que você talvez não tenha ainda a coragem de eliminar.

Todavia, é preciso agir, caso contrário a negatividade se tornará pior. Enfrente com coragem este momento de varredura radical!

Conselho: A coragem é necessária para enfrentar problemas de difícil solução.

então...

e não é que hoje resolvi arrumar meu guarda-roupas?

coloquei tudo o que é de lã ao sol, revirei gavetas, catei papelada e agora só volta lá pra dentro o que realmente uso e preciso.

ar... preciso de ar...


:: 24 de março, 2007 ::
chega!

falei agorinha (seis e meia da manhã) pro meu coração:

- sabe de uma coisa? chega!

bater descompassado, só se for de alegria! tentar sair dos trilhos e cair do meu peito, nem pensar!

te preciso aí dentro, corajoso e bombando. não vem com essa de ficar jururu porque o resto de mim sente. e desregula tudo.

ó! chega, tá?

fica calmo. retoma seu ritmo. cumpre teu papel.

e vê se coloca uma coisa na sua cabeça dura de coração:

VOCÊ NÃO TEM CULPA!!!

tá claro agora???

VO-CÊ NÃO TEM CUL-PA!!!

quer que fale mais uma vez???

VO-CÊ NÃO TEM CUL-PA!!!

pára de trimilique, combinado?

agora vai.

e bate no básico 4/4.

é o recomendado para o momento.

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:: 21 de março, 2007 ::
Alguém?

Tem coisas que só eu posso fazer para que todo o resto funcione. Por exemplo, se eu não comprasse pilha pro relógio da cozinha hoje, ele continuaria parado. Isso me cansa às vezes. Gostaria de poder contratar uma AAA - Assessora para Assuntos Aleatórios que ficasse responsável por toda essa perfumaria.

Assim, amanhã enquanto eu faço a pauta da sessão de Câmara e tento acabar a matéria sobre Raul Seixas pra revista, ela (ou ele, por que não? tanta gente precisando de emprego) ficaria responsável pelos seguintes telefonemas:

- Dra. Vera - marcando meu ginecológico que tá vencendo esse mês.
- Pingo - saber os dias da catequese da Gi e da crisma da Lu.
- Curso de Inglês - ver se ficou tudo certo e Lu pode voltar pras aulas.
- Malharia - saber se os uniformes das meninas estão prontos e encomendar mais uma camiseta pra Gi.

Depois disso a assessoria teria direito a um copo d'água e um café. Então terminaria de preencher os envelopes para colocar as revistas no correio, que prometi saírem daqui na segunda, amanhã já é quinta e elas ainda estão aqui.

Na hora do almoço, enquanto eu dou uma limpada nas sobrancelhas e retoco a base das unhas, a (o) AAA colocaria roupa na máquina, lavaria a louça que ficou do café da manhã, dava um cata geral na casa e, enquanto eu almoço, passa a roupa que lavei ontem.

À tarde, de volta ao trabalho, me ajuda a imprimir as pautas e grampeá-las. Confere se a matéria do Raul ficou boa. Detalhe: a (o) AAA tem que ser alfabetizada (o) e ter uma mínima noção de técnica legislativa, mpb, cultura e artes em geral. Se falar inglês, ajuda muito! Mesmo porque, eu não falo inglês. Ou seja, ajuda bastante!

De volta pra casa, final de expediente, enquanto tomo banho, a pessoa dá uma passadinha na roupa que vou usar na sessão. Acho que vai estar friozinho. Vai, pensa aí na roupa, que não tenho tempo pra isso não! Ah! e faz um lanchinho também: pão integral com requeijão e suco. Batom, lápis, perfume, brincos. Tô pronta.

E bora pra Câmara de novo que já é quase 8 da noite. Enquanto eu digito a Ata, a (a essa altura) estressada (o) assessora (or) vai adiantando o serviço de expedição de documentos que faço na sexta de manhã. Pode tomar um chá, se quiser.

Assim, eu chegaria à noite com pique pra dar um jeito na pia da cozinha, arrumar minha mochila e deixar o café semi-preparado pro dia seguinte, indo cair morta na cama pro sono dos justos.

Na boa? Tô cansada. Alguém se habilita? Deixar currículo na caixinha de comentários. Salário a combinar.



:: 18 de março, 2007 ::
Antes que o verão termine...

Antes da noite de sábado chegar, assisti ao filme Antes que o dia termine, que me devia há tempos. Chorei sim. A lição é clara: a gente só é feliz quando faz alguém feliz, quando aprecia o que tem, quando ama. Hoje!

Ainda temos que ver Doce Novembro, Fale com Ela, Harry Potter, Uma sexta-feira muito louca. Acho que o domingo vai ser pequeno pra tanta pipoca.

Aproveitei o sábado sem sol pra dar uma faxinada em mim. Escondi os cabelos brancos com um vermelho intenso 4.66, fiz as unhas, mas ficou faltando as pernas ficarem carecas. Talvez entre um filme e outro, quem sabe.

Fiz um doce de banana que ficou danado de bom. Nem sabia que sabia fazer, mas invoquei as minhas avós e lá foram punhados de açúcar cristal pro fogo, sem muita medida, um tanto de água e bananas que iriam pro lixo (ai que dó!) por estarem maduras demais. Preciso de um queijo de minas pra saborear a iguaria. Providenciarei.

É madrugada de domingo. Tem um vento mais frio na janela. É com tristeza que me despeço do verão 2007, um dos mais quentes dos últimos tempos. Tô com cor de saúde. Mas o outono vem aí, pra desbotar o trabalho do sol. Porém, a nova estação - a que tem o céu mais azul de todas - vem chegando de mansinho, me propondo perguntas cujas respostas só um dia depois do outro poderá me dar.

Vamos observar.
As folhas vão cair.
As cores serão outras.
Eu serei outra.

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:: 12 de março, 2007 ::
estranho

já me peguei olhando pra trás umas sete vezes
tenho a impressão que estou sendo observada
ou
que estou esperando algo
ou
alguém.

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:: 10 de março, 2007 ::
sábado...

Se tem uma coisa que não gosto mesmo de fazer é passar roupa. Ô servicinho sem graça! E com prazo de validade mínimo. Sentou, amassou. Então pra quê passar??

Eu lavo louça, cachorro, calçada, banheiro e roupa. Mas passar a dita cuja? É pedir demais. Até tentei me organizar, colocar os mais difíceis primeiro, como calças e vestidos e deixar camisetas e panos de prato pro final. Mas definitivamente esse dom eu não tenho! Passa de um lado, enruga do outro. Ai, não tenho paciência.

Fora isso, meu sábado foi gostoso. Baixou uma mineirada aqui em casa hoje que foi uma coisa!

- eu também não sosseguei até surgir você..., cantou o Lô.

- você pega o trem azul, o sol na cabeça, o sol pega o trem azul, você na cabeça..., arrasou o Beto.

- água de beber, bica no quintal, sede de viver tudo..., emociona o Milton que, junto com Chico me arrepia a nuca - o que será que será, que dá dentro da gente e não devia...

Lavei roupa tomando sol, tomando bica, tomando sol, tomando bica. Nem sei quantas vezes falei alto com as mãos pra cima: brigada Deus!!!

Fiz um almocinho gostosinho. Dois bolos: um de chocolate e outro de morango, a pedido das meninas. Era pra eu ter feito um de côco também. Mas ia ser muito bolo pra poucas bocas.

Entrei a noite brigando com o ferro de passar roupa, mas já esqueci dele. Só me lembro que hoje é sábado. O sétimo dia da semana. O último pra alguns, o penúltimo pra outros. Pra mim, o melhor! Por que é o dia que escolho pra realizar meus desejos.

balao.jpg


:: 08 de março, 2007 ::
perfume

flordancante.jpg

... que a gente continue a espalhar o nosso ...
... faça o vento que fizer ...


:: 04 de março, 2007 ::
a paineira e o imprevisto

Há dias venho pedindo pra Lu tirar uma foto da paineira que tem na nossa rua. A árvore tá toda florida. Totalmente fora de época. Assim como outras coisas que acontecem na vida da gente. E nos fazem ficar a pensar, a pensar. Mas esse é outro assunto.

O fato é que essa semana, quase sete horas de uma manhã bela, na ida pra escola, levamos a máquina e Lu saltou do carro, sonolenta, pra registrar o trabalho da natureza.

- ficou legal, filha?
- ficou...

- legal! tira mais uma. chega mais perto, pega um ângulo embaixo dela.
- tá...

E lá foi ela se posicionar embaixo da árvore. Ficamos do carro, eu, Gi e meu pai, achando engraçada a preguiça da fotógrafa que, meio a contra gosto, clicou assim:

Nesse instante Gi gritou: UM CACHORRO!!!

Em segundos eu estava fora do carro dizendo pra Lu não se mexer.

- NÃO CORRA!!!

Foi o mesmo que dizer: COORRRRAAAAAAAAAAA!!! COOORRAAAAAAA MUITOOOOOOOOO!!!

Ela disparou na direção do carro. Segundo meu pai, a mais de 612 km/h. E o são bernardo galopando atrás dela. Foi o tempo exato dela entrar no banco de trás, eu entrar e bater a porta e o coiseto pular na janela (fechada! graças!) com a maior cara de "vamos brincar???". Olhei pra trás e Lu estava paralisada. Branca. Em choque.

- muita adrenalina pra um começo de dia, né Lu?
- hurum...

Pra distrair e fazer rir, fui contando uma história da minha infância, quando um baita pastor alemão escapou e veio atrás da nossa turminha, numa outra rua, de uma outra casa, onde morava a Lana levada da breca que brincava de taco e carrinho de rolemã.

Não é que o tal pastor escolheu a mim como vítima? Cada um foi pra um lado, subi no primeiro muro que encontrei e o bicho na metade dele, com quatrocentos e noventa e quatro dentes arreganhados pra mim. Pra minha sorte, ao lado ficava a Casa da Agricultura e todos (eu disse todos!) os funcionários vieram me socorrer, pois do jeito que eu gritava pensaram que havia um urso polar me atacando.

Na porta da escola, depois do beijo de tchau, abracei as duas bem forte ao mesmo tempo que convocava o anjo da guarda pra ficar de plantão. E fiquei o resto do dia a pensar e pensar que um imprevisto é, às vezes, um aviso. Mas que isso não pode nos impedir de ver paineiras em flor.