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:: 25 de janeiro, 2007 ::
carinho...

Passei esses dias todos a jogar fora energia que não presta. Futuquei todos os cantinhos da minha casa, mudei coisas do lugar, ajeitei gavetas, armários, prateleiras.

Faxina cansa sim. Mas fiz tudo com carinho, transformando canseira em sensação boa de ambiente arejado, cuidado, limpo, pleno.

Agora sei onde estão os tapetes de banheiro, os paninhos de limpeza, as formas de bolo, as pás da batedeira, a panela de barro.

Sei também quantas coisas foram solenemente quebradas e ficaram em segredo.

É tanto carinho que sinto que fiz as pazes com o fogão e saiu um bolo de nozes e um rocambole gelado. Tô esperando o namorido chegar pra gente ver se ficou tão bom quanto bonito.

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Aproveito a fase também pra estreitar os laços com Lu e Gi. Tá difícil fazer com que elas entendam que precisam colaborar porque não vamos mais ter uma secretária a nos servir. E que quando voltarem as aulas, o bicho vai pegar legal e cada uma vai ter de cuidar de suas calcinhas, sutiãs e camisetas sim!

Faço que não vejo o nariz torto e insisto: vocês não estão fazendo pra mim, é pra vocês, pra quando tiverem suas casas souberem tratá-la com... carinho.


:: 22 de janeiro, 2007 ::
o que NÃO quero

O primeiro final de semana das minhas férias foi uma pequena amostra dos próximos 15 dias. A casa grita por faxina e ontem, em pleno domingão, lá estava eu atracada com o fogão, de faca numa mão e chave de fenda na outra, raspando crostas de gordura seculares.

Me lembrei da Manitcha e sua panelinha.

Me lembrei do baguá da porta da sala que sumiu "misteriosamente", ninguém sabe, ninguém viu.

E reparei que comecei a faxina pelo canto da prosperidade e do sucesso. Pensei firme: não é muito, apenas o suficiente.

Semana passada, enquanto Lu e Gi ainda estavam na praia com o pai e o irmão e quando Aline e Daniela já tinham ido, pude ter várias conversas comigo mesma. Conversas que já não podia adiar e que serão o alicerce deste ano. Como sempre, continuo sabendo exatamente o que não quero pra minha vida. Embora isso não simplifique muito as coisas.

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- Nossa mamãe! Da outra vez que a gente viajou você nem ficou com tanta saudade.
- Da outra vez eu viajei também, Gi. Desta, eu fiquei.

E abracei e beijei as duas mais vinte milhões de vezes.


:: 14 de janeiro, 2007 ::
devagar...

mochila nas costas, volto a pé pra casa carregando as lembranças boas do final de semana. cabeça e corpo cansados. coração feliz. o sol faz brilhar as pedrinhas coloridas da sandália. um pé depois do outro. os passos calmos e cadenciados. no silêncio da rua deserta vou cantando baixinho:

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, e ser feliz.

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:: 10 de janeiro, 2007 ::
Rastros...

Estes primeiros dias do ano trouxeram, além da chuva absurdamente constante, algumas certezas e várias hipóteses. Nenhuma mudança brusca de rumo, mas muitas perspectivas.

Tem um otimismo irritante aqui dentro. A ponto de não me deixar abater por coisinhas como cheque especial estourado e desentendimentos familiares. Chega um tempo em que a gente entende que pepinos sempre existirão e o que muda é a maneira que os transformamos em salada. Um pouco menos de sal, algumas gotas a mais de limão e azeite, quem sabe um teco de orégano e pronto! Dá pra digerir.

Tenho um texto guardado aqui na minha agenda do ano passado que de vez em quando leio. É do escritor Gabriel Perissé, chama-se Os rastros que deixamos. Gostei especialmente desses trechos aí:

Todos deixamos rastros ao longo da vida. Deixamos rastros nos objetos, nos lugares, na memória de outras pessoas. Rastros de luz. Ou rastros de gosma.

Visitamos alguém, e na casa visitada deixamos nossos rastros. Cinzas de cigarro, palavras cujo som ainda vibra na sala de estar, o calor de nosso corpo no sofá.

Uma amizade deixa rastros. Conselhos inteligentes ou inúteis, gargalhadas sem fim, lágrimas por enxugar, passeios no final de semana, confidências, elogios sinceros, projetos em comum.

Deixamos rastros nas paredes, nas calçadas, na fisionomia dos nossos filhos. Pedaços minúsculos de nós se desprendem de nós. No meio da multidão deixamos rastros do que somos, de nossa individualidade indivisível.

Deixamos rastros. Nossos rastros de gosma. Ou de luz.

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Aline e Dani! Espero, do fundo do meu coração, que nossos rastros tenham todas as cores do arco-íris.

E dão be façam begar dojo, tá??? Senão, já sabem: surra de espada de são Jorge 3 x ao dia... rs

TEAAAAAAAAMOOOLHEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!
Obrigada por esses primeiros dias do ano...

E já chega de viadagem! Credo! HAHAHAHAHAHAHAHAHA


:: 04 de janeiro, 2007 ::
Será?

Tenho tanto a dizer e um silêncio dolorido vem se instalar querendo me levar pra cantos escondidos, que já não fazem parte da minha vida.

Tanto lutei pra não mais ter de me esconder em cavernas. Quebrei as unhas em paredes crespas, na tentativa de escapar do escuro, do lodo, do cheiro forte de umidade.

Aos poucos fui [re]acostumando meus olhos à luz e acreditando novamente que tinha direitos, apesar de todos os deveres. Peguei carona nas nuvens e voltei a ser leve, a não dar tanta importância para as tempestades, afinal, elas passavam por baixo de mim.

Deitava a cabeça no travesseiro e dormia feito criança, sem necessidade de química pra isso. Havia encontrado um outro remédio, bem mais doce, com efeitos colaterais maravilhosos que não causam dependência.

Será que foi um sonho?

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