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:: 29 de dezembro, 2006 ::
pronta!
Estes são meus últimos minutos de trégua antes que o ano novo venha bater seus tamborins aqui na varanda de casa. Eu já sabia que dezembro iria passar sem que eu tivesse tempo de esvaziar gavetas e armários. Mas, sem culpa nenhuma, respiro o final deste ano sem pressa. Ano ardido esse. Bateu sem dó em mim. Senti frio, solidão, pânico, melancolia inúmeras vezes. Fui testada, encostada na parede, me enfiaram o dedo na cara. Achei que não voltaria à tona depois de certos mergulhos. Para minha surpresa e satisfação, voltei de todos eles com os pulmões fortes o suficiente pra gritar: dá licença???? E em vez de me enfraquecer, as surras me serviram de casca, me protejeram, me esticaram além dos meus 163 centímetros. Tiro os pés de 2006 com a sensação plena de vitória. Tudo o que fiz, fiz por inteiro, não economizei gestos, sentimentos, palavras. E é assim, zerada, que abraço o novo. Sem nenhum plano de vôo e pronta para voar.
:: 24 de dezembro, 2006 ::
a véspera...
Fizemos a rosca de natal. Receita da vó Ana que - eu sei - estava ali com a gente na cozinha, rindo baixinho, com os olhos cheios d'água e pensando: bom que a tradição continua... Estou terminando de assar o tender que vai arrumadinho com cerejas pra casa da tia, onde faremos a ceia mais tarde. - Pausa para abrirmos os presentes que estão embaixo da árvore de luzes coloridas e piscantes - Pronto! Papai Noel chegou! ho ho ho! Tava falando agora mesmo pra elas que o mais importante de tudo isso é chegarmos ao final de mais esse ano juntas. Que o amor que sai de mim em direção a elas só aumenta. Cheguei a fazer uma poesia, brincando com as palavras, mas agora nem eu nem ela lembramos mais. Não importa. Importa é o que sinto nessa véspera de natal, essa coisa leve e simples. É essa alegria quente no coração. A digital que demos pra Lu foi a mais baratinha da loja e o tênis de duas cores que a Gi ganhou não foi exatamente o que ela encomendou. Mas ali estão elas, sorrindo pra mim, curtindo a magia de desembrulhar um presente. Desejo, do fundo do coração, que a paz chegue para todos nós. Que o nosso natal seja doce, terno, amigo e solidário. Falar nisso, ontem meu pai socorreu uma moça que estava dando a luz no meio da rua. A menininha nasceu dentro do carro, na porta da Santa Casa. Ele tá mais bobo do que o costume. Foi hoje lá pra saber se tava tudo bem e voltou contando que ela é uma galanteza. Brincamos com ele dizendo que ela vai se chamar "Arnalda". Só rindo, né? Mas é disso que estou falando. Da gente ser melhor. De gostar de ajudar. De fazer questão de ver que os outros estão bem e felizes. É. Tá uma bagunça esse post. Mas quem disse que as coisas precisam ser sempre certinhas? Agora deixa eu correr pro meu banho restaurador de beleza, que ainda tenho que secar os cabelos delas antes de alisar meus cachos. Feliiiiiizzzzzzzzzzzzzz Nataaaalllllllllllllllllllllllllllllllll!!!!
(olha aí vó Ana!! aprendi direitinho né???)
:: 19 de dezembro, 2006 ::
não é assim?
Imprevistos acontecem todo dia, toda hora. O que muda é a maneira com que lidamos com eles. Se o carro quebra numa sexta-feira, 6 da tarde, chovendo, na avenida Bandeirantes, das duas uma: ou você chora ou resolve. São situações que fogem ao nosso controle as grandes reveladoras de nós mesmos. Estes sim são nossos espelhos. Daqueles bem cruéis. Um susto. Um não. Uma porta fechada. Uma janela aberta. Uma noite sem dormir. Um dia de cama. Um silêncio longo demais. Um barulho insistente. Um telefone ocupado. Um email que não chega. Ficando expostos, mostramos o que temos escondido embaixo de nossas peles. Durante muito tempo eu, ao dar de cara com um imprevisto, entrava em pânico. Porque seguir a linha retinha das coisas programadas e acontecidas é seguro sim. Mas não é na mesmice que a gente se conhece (e aos outros) verdadeiramente. Dezembro escorre. Enrolo nas mãos o novelo das coisas. Espio com o canto dos olhos as durezas e as doçuras vividas. Nasceu em mim algo que ainda não havia experimentado: o gosto pelos imprevistos.
:: 15 de dezembro, 2006 ::
presente
quase duas da manhã. me dou de presente uma porção de pavê. quase natal. me dou de presente um final de semana nos braços de quem me aceita exatamente como eu sou. minhas coisas estão prontas para a estrada. me dou de presente esse hiato. estou pronta. - no café? já quis me dar várias coisas de presente. uma fita pro cabelo. um dinheiro pra caixinha. hoje (daqui a pouco) vou estar me vendo em olhos morenos. hoje esse é meu presente.
:: 08 de dezembro, 2006 ::
tô salva...
salve nossa senhora da conceição da praia!!! (protejei-nos...) salve a avenida paulista que faz 115 anos hoje!!! (chorei antes das 7 da manhã, assistindo ao Bom Dia São Paulo... tão linda a mais paulista das avenidas... que saudade eu tenho dela... que saudade de ser parte daquelas longas calçadas...) salve Lu e Gi que estão se dando bem nas provas!!! (acho que se safam da recuperação... amém jesuis nóis tudo...) salve a sexta-feira que veio sem nem eu perceber de tanto que trabalhei!!! (dever cumprido é a melhor coisa do mundo...) salve o sábado com churrasco, cerveja, filhas, namorado, amigos!!! (quero me espalhar... precisando disso...) salve o domingo com Gi no palco sorrindo muito!!! (e eu na platéia... absorvendo tudo...) saaaallllllveeeeeeeeeee!!! puxa vida!!!!
:: 05 de dezembro, 2006 ::
o que será que será???
qual a diferença entre população absoluta e população relativa??? como se calcula o crescimento vegetativo ou natural de uma população??? qual é a teoria de Thomas Malthus??? não sabe??? volta pra 5ª série!!! quais são as três funções do estômago??? o que faz a enzima ptialina??? por que o fígado é tão importante??? desiste??? volta pra 7ª série!!! é isso mesmo que tá pensando! pirei! ou melhor! até o final da semana piro com as provas do 4° e derradeiro bimestre das meninas. dá pra imaginar a cena? eu que sou UMA, estudando geografia no quarto e ciências na sala??? isso tudo embalado por um dente de leite prestes a cair (e caiu, graças ao bom Deus!) e uma crise aborrecental do tipo: "que-culpa-tenho-eu-se-a-professora-é-uma-darde-entra-na-sala-olha-pro-teto-e-não-explica-a-matéria"?? sobrevivi. tanto que deu até tempo de escrever isso encerrando com um protesto final: o ensino público tá uma lástima! professores desestimulados, alunos alienados e vice-versa. sério. tô mesmo preocupada. e nem vou ficar aqui discursando que na minha época a escola pública era boa, os professores ensinavam pra valer e cobravam não só conhecimento, mas respeito, ética, companheirismo, interesse. minha época já foi. é com agora que tô de cabelos em pé. são minhas filhas que estão enfrentando essa onda de descaso, de pasmaceira, de falta de vergonha pra ser mais exata, culminando na seguinte proposta: eu faço de conta que dou aula e você faz de conta que aprende. me diz, que tipo de alicerce está sendo construído??? e o que será o fim disso???? tenho medo das respostas...
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