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:: 30 de novembro, 2006 ::
então que...

... a secretária acha por que acha que tem direito ao FGTS, embora eu tenha mostrado a ela a legislação e coisa e tal.

... por conta disso não consegui almoçar hoje.

... aproveitei a hora do almoço e dei uma geral nas sobrancelhas e nas unhas.

... fizemos mais uma interminável reunião pra analisar as emendas ao orçamento.

... vou acabar ficando craque naqueles códigos.

... não entendi o vento frio que varreu a cidade hoje à tardinha.

... caiu uma baita taquara em frente da nossa casa.

... amanhã já é dezembro e não vejo a hora de ser janeiro.

... descobri que tenho vontade de envelhecer numa cidade pequena do litoral.

... preciso de copos, xícaras, jogo de sobremesa e panelas novas.

... as meninas têm mais uma semana de provas e ... férias.

... só vou ter 15 dias de descanso em janeiro.

... semana que vem vou ver Gi dançar.

... nada vai me fazer desistir de ser feliz.

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:: 27 de novembro, 2006 ::
filosofIA de academIA

a velocidade aumenta
a distância vence o tempo
o coração expulsa as calorias
o programa zera as funções

eu???

ligo/desligo

*********

coisa de quem não tem o que fazer quando tá andando na esteira e a notícia da tv é chata, a pessoa do lado não quer papo e existe uma dose extra de espaço entre os passos, os braços, os ombros, a nuca, o terceiro olho descendo garganta abaixo até o baço. ou o fígado. não sei muito bem.


:: 23 de novembro, 2006 ::
coincidência...

meus pés pedem pra que eu os deixe pisar a terra
pra que eu tire o sapato que aperta
eles gritam que precisam respirar
que querem sombra e água fresca

pesnorio.jpg

eu também!


:: 13 de novembro, 2006 ::
o extemínio de pererecas e de lagartixas, por Lara Croft...

Sim. Antes mesmo de começar a tomar a caixa de antibióticos eu já havia diagnosticado a causa da garganta trancada. Pererecas demais. Escancaradas demais.

E antes mesmo que me dissessem: será que não foi algo que você gostaria de ter dito e não disse?, a coisa já estava muito clara pra mim. Claro que foi! E não foi só a história da secretária. Tem mais coisas sobrevoando a periferia da minha vida, em órbita cíclica e contínua. Parecem pernilongos que esperam eu apagar a luz, me ajeitar no travesseiro, fechar os olhos pra vir zunir na minha orelha. Soc, paf, tum, poft! Sai pra lá bicho à toa!

Então que, mesmo com um pouco de atraso, resolvi cuspir todas as pererecas. E foi um alívio. Que história é essa agora de o mundo todo resolver me dar de dedo na cara? Pera lá gentarada! Sou hu-ma-na! AGÁ-U-EME-A-ENE-A! Até faço pose de super heroína, mas não sou. E podem ir fazendo o favor de sair de cima dos meus calinhos porque eles dóem. E não são balcão de boteco onde qualquer um se instala e fica. Por gentileza, desafasta tá?

Mas, passou. A garganta tá quase zero bala e, mesmo sob o efeito de fortes medicamentos, trabalhei feito uma camela zebrada a semana toda, culminando com a sessão solene de sexta à noite na qual, milagrosamente, minha voz saiu! E nem era voz de atendente de disque-séquiço nem de Iris Lettieri:

- Atenção senhores vereadores! Favor tomar assento às cadeiras à nossa direita.

Agora é só esperar o inverno se tocar e ir de uma vez por todas pro hemisfério norte (dá licença, né?) pra retomar meu projeto "cansei de ser lagartixa". Afinal de contas, lagartixa rouca é o ó. E eu tô bem mais pra Lara Croft, tá?

Excrusivii, tô deixando minha franja crescer. É. Radicalizei!


:: 06 de novembro, 2006 ::
De feriados e pererecas...

Não tô me aguentando de sono. Todo ano é isso: a primeira segunda-feira do horário de verão eu não sou eu. Sou só metade. A outra tá lá em casa dormindo feliz. Mas são dois, três dias e tudo entra nos eixos. Aliás, agora, depois de devidamente almoçada, já me sinto melhor. Além disso, ser dia ainda às 8 da noite é demais de bom. Enfim, enfim: adoro verão, adoro horário de verão, adoro esse clima de novembro, essa coisa pré-natalina, esse sol que tira todas as nhacas de minha pele e da minha alma.

Agora, bom mesmo foi o papo que tive que minha secretária antes do almoço. Há tempos venho notando que as teias de aranha estão se multiplicando pelos batentes das portas sem que nenhuma providência seja tomada. Mas tá. Ela lava, passa e cozinha direitinho. Pra mim que só enxergo teias de aranha à noite (sim! elas só aparecem à noite, né mesmo?), tá ótimo. Tava. Até semana passada. Pra ser mais exata, até quarta-feira, véspera do feriadão.

Fui me despedir dela antes de voltar pro trabalho e, meio que me desculpando, disse que na sexta acertava com ela o salário.

- Sexta eu não venho!

Perdi a fala por alguns segundos e tudo que consegui dizer foi:

- Vai emendar? Então só recebe semana que vem. Bom feriado.

E passei esses últimos dias tentando engolir esse baita sapo de pernas escancaradas. Pelo tamanho do escancaramento, acho que foi mais uma perereca. O fato é que não desceu. Nem com maionese. E pior. Ela "folgou" na sexta e eu me ralei inteira, da pia pro fogão, do fogão pro tanque, do tanque pra máquina de lavar e dali pro varal. Isso porque no feriado de 12 de outubro a madame também resolveu emendar, sem se dar ao luxo de me avisar. Ou seja, a coisa vem tomando proporções faraônicas e não é de hoje. Eu sabia que mais dia menos dia teríamos de lavar a roupa suja.

Deu-se a desgraça hoje! Ainda bem, porque mais um dia com essa perereca entalada na goela não ia prestar.

Encostei os cotovelos na máquina de lavar e perguntei:

- Vamos conversar?

Ela, com uma mão na cintura e outra no tanque:

- Vamos...

Não, não. A coisa não acabou em uma guerra de sabão em pó. Mas voou pena pra tudo que é lado.

- Você não tá feliz aqui, né? Sabe? Eu ando meio de saco cheio de cara feia. E a sua não anda nada bonita. Posso saber o motivo? Aliás, posso saber também por que você anda tão relaxada com o serviço da casa? E aproveitando a deixa, seria demais eu perguntar se virou moda emendar feriado sem ao menos me consultar?

Daí ela desfiou um rosário de justificativas, o qual eu interrompi quando ela disse que não tinha aumento há um tempão.

- Pera lá, pera lá, pera lá! Você recebe, religiosamente, os 350 paus que o governo determinou como salário mínimo. Mas nunca trabalhou aos sábados. Que horas você entra? É, porque quando eu saio de manhã, você ainda não chegou. Que horas você sai? Porque quando eu volto à tardezinha, você já foi embora. Eu já te disse várias vezes que se pudesse, pagaria o dobro, o triplo, mas não posso! Também faz um tempão que não tenho aumento. Também já te disse que a despesa toda da casa é por minha conta. Não tenho ajuda de ninguém. Sou eu e Deus, minha filha!

Ela reclamou mais um tanto, dizendo que antes eu chamava um faxineira pra aliviar o serviço, que as domésticas que cozinham não fazem faxina, que ganham mais e tal e isso e aquilo e outro aquilo também.

Resumindo a ópera. Ela não tá feliz. Eu também não tô. Bem dizia minha avó que quanto mais a gente abaixa, mais o fiofó aparece. Lu chegou da escola, meu pai desceu pra almoçar e resolvi colocar uma vírgula na história.

- Faz uma coisa. Pensa nisso tudo e amanhã a gente encerra essa novela. Eu sempre tive você como amiga, sempre valorizei seu trabalho, senão com grana, com outros tipos de agrados que nem gosto de ficar falando, mas você sabe bem do que se trata. O que eu quero é que a gente termine essa relação numa boa. Quero poder encontrar com você na rua e perguntar: tudo bem? como vai a vida? sem nenhum ressentimento. Quero que você encontre um emprego legal, onde você ganhe o que mereça. Quero paz! Quero alegria! Eu também trabalho porque preciso. Não ganho a vida fazendo o que mais gosto. Mas é o que tenho nas mãos e procuro dar o melhor de mim. Pensa bem e amanhã a gente define tudo, tá? E lembre de uma coisa muito importante: ninguém é insubstituível. Ninguém!

Me sinto aliviada. Putz, como é bom tirar a perereca escancarada da garganta! Como diz o ditado: tem que arruinar pra melhorar, né verdade? Ave Maria! Já me livrei de tantas almas penadas, bem mais penosas que essa, por que tenho que ficar desviando o olhar das teias de aranha? Se eu não faço meu serviço direito, levo fumo, não levo? Levo! Então, com licença minha filha, vamos ser felizes que é o melhor que a gente faz! Amém!