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:: 27 de setembro, 2006 ::
O que tenho feito de mim?
Ando ocupada. Ocupada demais pro meu gosto. Além do trabalho nosso de cada dia, cresce no balcão atrás de mim, uma montanha de papéis com explicações sobre classe gramatical, verbos, conjunções, crase, mídia eletrônica, intranet, clipping, lei de imprensa, regimento interno e o cacete a quatro. Saiu. Aliás, tenho sentido uma necessidade imensa de falar palavrões. Considero isso normal. No meio dessa parafernália, escrevi um texto sobre a exposição de objetos pré-históricos que está sendo realizada no Centro Cultural Cícero Marques, em comemoração ainda aos 237 anos de Itapeva. Concomitantemente foi lançado o livro "Pré-história de pedra chata", trabalho lindíssimo do artista plástico Pedro Azevedo que, embora carioca, descreve os primórdios da minha cidade como um exímio itapevense. Tô falando difícil, né? Confesso que nem eu mesma estou me reconhecendo mais. Cadê eu, meu Deus? Bom. Eis aqui minhas impressões sobre o livro, sobre a exposição e - nas entrelinhas - sobre mim também. Voltar ao chão, às raízes, às origens. Repensar a caminhada feita até aqui pelo ser humano. Imaginar um tempo em que o céu era o teto, a cama era a grama, a comida era o que se colhia ou o que se caçava. Como eram as pessoas que viveram aqui antes de nós? Não fisicamente, mas interiormente. O que sentiam, o que pensavam, o que as tornava felizes? Por que choravam? Será que choravam? O que as levava a procurar uma haste, molhar na cor e riscar as pedras? Onde foram buscar o conhecimento para enterrar seus mortos em urnas feitas de cerâmica? Como descobriram que o barro queimado lhes serviria de prato e de copo? Ao visitar a exposição “Pré-história de pedra chata” ficamos literalmente petrificados. Nossa mente, tão cheia de informações, tecnologia, conhecimento, faz uma longa viagem e se depara com um retrato seu, um desenho livre e solto. Uma pintura que lhe sorri, convidando a bailar e a se desprender de tantas formas, conceitos e padrões. De repente, a pergunta vem: o que fizemos de nós? E voltamos para casa, chutando idéias como quem chuta latas. Com uma vontade irresistível de achar uma haste, molhar na cor e redesenhar a história.
:: 19 de setembro, 2006 ::
De flor na peruca
Então você não sabe o que é ser linda, loura e japonesa? Pergunte pra um itapevense que 11 entre 10 deles sabem. Ok, menos. Mas metade da dezena sabe! Quer ver outra coisa que só meus conterrâneos falam? Ché! O que é ché? É não acreditar no que se ouve e dizer: Ché que vai chover! Itapeva tem coisas que só Itapeva tem. No modo de falar, inclusive e principalmente da vida alheia; na maneira de vestir e de comer. Já ouviu falar em encapotado? É só aqui que tem esse incrível bolinho de farinha de milho com frango desfiado dentro. Famoso e consumido largamente em tudo que é quermesse da praça. Aqui peão namora dondoca sem nenhum preconceito. E manos circulam entre emos, punks, cults, descolados, de todas as cores e idades. Amanhã Itapeva faz 237 anos e apesar da idade avançada, ainda não aprendeu a lidar muito bem com seus filhos, ops, problemas. O Pilão D'Água ainda não virou cartão de visita como deveria. Há vários bairros esperando por pavimentação e iluminação pública. Ainda não temos o tão sonhado Teatro Municipal. A Saúde e a Educação vão mal das pernas. Enfim. Mas esquece isso tudo porque o momento é de amassar barro e levantar poeira. Shows com artistas (leia-se duplas sertanejas) estão lotando o recinto de festas toda noite. Ontem, entre um e outro carro de som gritando exageradamente o jingle do(a) candidato(a), passou aqui na frente da Câmara um bando de crianças atrás de uma fanfarra. Meu pescoço virou pra rua sem que eu pudesse impedir. Era a minha infância passando por mim. No desfile cívico de amanhã, Gi vai estar em um pelotão de balizas, na frente da fanfarra da escola. E eu, se você olhar de cima, serei um dos pontinhos perdidos na avenida Acácio Piedade. Aplaudindo, vibrando, assobiando, marchando junto com a criançada. Parabéns, terrinha! Muitos anos de vida! A propósito. Ser linda, loira e japonesa é estar de bem com a vida. E agora deixa eu terminar minhas tarefas porque amanhã vou estar de flor na peruca, tá?
:: 13 de setembro, 2006 ::
Viva, linda, loira e japonesa!
Pode não parecer, mas estou viva. Podem até duvidar, mas estou ligada, no 220! E é verdade, tá confirmado: quanto mais coisas tenho a fazer, mais tempo eu arrumo pra isso. Falar nisso, tá na hora do curso de page maker.
:: 07 de setembro, 2006 ::
Meu presente...
Acordei de madrugada e nem precisei olhar o relógio, pois já sabia as horas: 4h25. Exatamente o seu momento de vir ao mundo há 11 anos. Fui até seu quarto pra ajeitar as cobertas. Fiz uma prece quente, agradecendo a Deus pela sua vida e pedindo proteção pra todos os seus passos. Você vai crescer, virar gente grande, traçar as linhas do seu destino. Mas aqui, no meu coração, vai continuar a ser sempre essa menina doce, sorridente e carinhosa que ganhei de presente no 7 de setembro.
Se tem uma coisa que tenho aprendido com você Gi, é lutar pela nossa independência. Te beijo,
:: 03 de setembro, 2006 ::
Não é que funciona?
Ficamos sem conexão uns dois dias desta semana aqui em casa. Do trabalho, acessei o speedy online pra tentar resolver o impasse. Já usaram esse serviço? Achei que não funcionaria, mas não é que funciona! Aqui vai (a pedido da coiseta da Aline) o que me lembro da conversa entre eu e o Gilson Menezes (o robô que me atendeu). ele - Boa tarde senhora, em que posso ajudá-la? Liguei pra casa e fui dando as coordenadas pra Lu. Dois minutos depois estava restaurada a conexão do lar, como num passe de mágica. eu - Deu certo, Gilson! O que será que houve? Obviamente que imprimi os "procedimentos" que devo realizar quando der erro 769. Senão como poderia lembrar desse internetês todo? Nunca! Contrariando minhas expectativas, consegui dar jeito na coisa sem ter de chamar um técnico que me cobraria, no mínimo, 50 reais pela "visita". Obrigada, Papai do céu, pela luz! E por falar em contrariar as expectativas, deixa eu tirar as meninas da cama porque, no lugar do domingo chuvoso e frio que se previa, tem uma maravilhosa manhã ensolarada ali fora, com a maior cara de primavera.
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