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:: 27 de abril, 2006 ::
força estranha

Eu vi o menino correndo eu vi o tempo

Brincando ao redor do caminho daquele menino

Eu pus os meus pés no riacho

E acho que nunca os tirei

E o sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando outra pessoa

O tempo parou para eu olhar para aquela barriga

A vida é amiga da arte

É a parte que o sol me ensinou

O sol que atravessa essa estrada que nunca passou

Por isso uma força me leva a cantar

Por isso essa força estranha ( no ar )

Por isso é que eu canto não posso parar

Por isso essa voz tamanha

A letra é do Roberto, mas quem cantou pra mim hoje de manhã, antes do relógio despertar, foi Caetano. Estou vivendo mais um momento "olho do furacão". Mas mesmo rodopiando, não perco a linha, não mudo a rota. Sei bem o que tenho de fazer pra chegar onde quero. E vou.

passeio2.jpg


:: 25 de abril, 2006 ::
só boas notícias...

resfriada. muito resfriada. mas muito resfriada mesmo. tanto que houve uma discussão ferrenha hoje de manhãzinha entre meu anjinho de asas e meu anjinho de chifres. cada um em uma orelha.

- não vá nada, boba! fique dormindo! cê não tá legal...
- vá sim! tem muito trabalho te esperando...
- ah, bobagem! deixa o trabalho pra lá, fica descansando...
- olha sua responsabilidade! se não for vai acumular tudo pra amanhã...
- não vá!
- vá!
- NÃO VÁ!
- VÁ!

vim. mas só metade. a outra metade ficou lá com o anjinho de chifres. comendo pipoca em frente à TV. que eu ia sucumbir ao influenza já tava mais que na cara. há quase um mês ele vem me rondando, esperando um descuido pra me pegar de jeito. descuidei! pegou! saco!

tem uma outra discussão ferrenha rolando no trabalho: concurso público! estamos todos com um facão no pescoço pois somos, na maioria, cargos em comissão. há 12 anos trabalhamos em equipe, feito uma engrenagem. mas não tá bom! é mais importante fazer o concurso, contratar gente em caráter efetivo. mesmo que essa gente nunca tenha ouvido falar em moção, ofício, expedição, legislação. mesmo que isso venha desnortear a vida de quem se dedica e procura fazer sua parte com dignidade e honestidade. coisa que, dentro do serviço público, é raridade, tenho que concordar. mesmo que esse trabalho seja o que segura a compra do mês e as contas de luz, telefone, dentista e roupa da criançada. tô com o saco cheio de ser descartável.

e pra completar, fico sabendo que virão mais umas contas estourar na minha cabeça. contas que não são minhas. que não fui eu que assinei e me comprometi a pagar. mas que vou ter que arcar pra não prejudicar (ainda mais) pessoinhas queridas demais. tô com o saco cheio de gente folgada e sem princípios. gente que fala, mas não faz. gente que faz coisa errada pra me atingir e não percebe que tá cavando seu próprio buraco.

ufa viu!

tá bom procê? pra mim tá de bom tamanho essa pemba já!

passar bem... e se espirrar, saúde!


:: 23 de abril, 2006 ::
vibração

procuro pessoas que vibrem
que queiram desfrutar de um mundo melhor
pessoas com força nos braços
e com meiguice no olhar
pessoas sem medo de hoje
sem desânimo a imperar

pessoas com gosto de vida
e vontade de malhar
pessoas de peito pra frente
e com ídolos a admirar
pessoas que caminhem firme
com pouco a lamentar

pessoas com sorriso aberto
sem vontade de desanimar
pessoas que olhem pássaros
e com nada a reclamar
pessoas que suportem as dores
sem lágrimas a derramar

pessoas de sangue quente
com força para não chorar
pessoas de riso fácil
com ânsia de acreditar
pessoas com dificuldades
mas sem nada pra lastimar

pessoas com erros e defeitos
embora loucos pra perdoar
pessoas como você
que muito têm a ofertar

Eduardo Menk
do seu quarto livro de poesias "No Horizonte da Poesia"

Este menino é um itapevense iluminado por Deus. Ele tem problemas mentais, vive numa cadeira de rodas, quase não consegue falar, mas seus olhos... seus olhos além de ver o mundo assim, dessa maneira vibrante, sorriem pra gente. O conheci num vernissage, no Espaço Cultural da Câmara e nunca mais esqueci deste menino feliz e de bem com a vida.

Hoje, quando peguei a sacolinha do supermercado pra embrulhar uma mudinha de melissa pra dona Ercília levar, tava lá esse poema impresso. Não resisti.

Falando em dona Ercília, ela e seu Rocha, pais do Ricardo, vieram pra cá nesse feriado. Coisa boa tê-los aqui. Pessoas vibrantes, dispostas, de coração imenso e com vontade de viver. É bom ter gente assim por perto. É bom ter gente assim na nossa casa.


:: 20 de abril, 2006 ::
rugas

não
elas não me incomodam
são traços do tempo em mim
por isso
não me estranho no espelho
as abençôo
agradecida
não mudaria nenhuma esquina
pra chegar até aqui

botas.jpg


:: 18 de abril, 2006 ::
constatei que...

- gosto da cor marrom
- tava com saudade das noites frias
- não vivo sem música
- aprecio abraços apertados
- não ligo muito pra chocolate
- andar na esteira e levantar (pouco) peso é uma boa maneira de começar meu dia
- fazer amor de manhã é uma ótima maneira de começar meu dia
- sentir arrepios é a manifestação da vida
- uma xícara de chá tem muito sabor
- gosto imensamente de cantar
- é possível flutuar

pes.jpg



:: 16 de abril, 2006 ::
nada (mesmo) é perfeito

A viagem de ida, com direito a assistir a lua cheia e amarela nascer na estrada já dava uma idéia de como seria o nosso feriado. Enquanto as pessoas do lado de lá da pista se apertavam pra fugir da grande cidade, a gente ia feliz, cantando, na contramão.

- tô tão feliz de estarmos juntos...
- tô também...

Saudade imensa de ouvir o sax, de vê-lo no palco, mesmo que de longe. Gostoso demais quando nossos olhos se achavam por entre as pessoas que lotavam o botequim. E melhor ainda quando, de repente, ele surgia do nada pra me roubar um beijo. Bom voltar pra casa com o dia clareando e se atirar na cama, bem abraçadinhos, dormir até meio dia e acordar sorrindo um bom dia, de bem com a vida.

- tô tão feliz que você tá aqui...
- tô também...

Incrível como coisas simples da vida se tornam importantes e boas quando a gente tem ao lado a pessoa amada. Passear de mãos dadas pelo supermercado, assistir a um pôr-de-sol laranja, deitar no meio de uma tarde azul pra cochilar, com a janela aberta por onde entra uma brisa que arrepia a pele, respirar fundo e querer que o tempo pare e sugar aquele momento com força. Viver.

Mas o melhor é ter certeza de que tudo está no lugar certo. Tanta certeza que um choro incontrolável explode e molha a madrugada. E faz os corpos grudarem prevendo mais uma separação.

- eu sei que a vida vai seguir, que vou levantar de manhã, vou pro trabalho, resolver pepinos, fazer janta, rezar com as meninas pra dormir, cuidar das coisas. você também vai correr atrás dos seus compromissos, da papelada, dos contatos, dos clientes. eu sei que essa distância não é páreo pra gente, embora concorde quando você diz que temos de estar juntos mais vezes. pra que possamos nos nutrir. isso me preocupa sim, embora tenha consciência do fio que nos une. o fato é que acho um saco não poder fazer parte todo dia da sua vida...

Pausa para mais lágrimas. Que teimam em voltar agora, enquanto escrevo e a distância entre nós já é concreta e real. Agora, quando tudo o que tenho são imagens - trânsito, passarelas, malas, passagem, ônibus, abraço, beijo, despedida, até ...

- não vá chorar...
- agora não... só depois...

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:: 11 de abril, 2006 ::
tem dias assim...

de apenas agradecer...

e de entender que todo esforço que fizemos foi conduzido por uma força maior...

que o desenho que fizemos para alcançar o sol foi inteiramente cochichado aos nossos ouvidos...

desenho.jpg

e que tivemos sabedoria e intuição para entender todos os sinais...

assim seja...


:: 10 de abril, 2006 ::
parabéns!!!

cantar3.jpg

parabééééénnnnssssss pra vocêêêêêê
nesta daaaaaaata queriiiiidaaaaaa
muitas feeeeee-liiiiiii-ciiiiii-daaaaaa-deeeeeessssss
muitos anoooooosssss de viiiiiiiidaaaaaaa

num oferecimento de pastilhas bafo de urso, são os votos da Lana, da Lu e da Gi pra coiseta desvairada do nosso coração!!!!


:: 07 de abril, 2006 ::
e a tarde de sexta chuvosa foi assim

Mamografia - aparentemente normal. A Rosa, mocinha que faz o exame e já me conhece há milênios não fala nada além disso... mas é um docinho, consegue até me fazer rir, presa àquele aparelho que aperta a gente sem dó nem piedade.

Ultra-som da bexiga - tudo beleza! Dr. Sérgio, que também já me conhece de outros carnavais, percebendo minha angústia, fez lept lept zum e me mandou correr pro banheiro. Vixi... saíram uns 3 litros de xixi. Até falei pra ele que, com tanta tecnologia, já tava na hora desse exame ser feito sem necessidade de estar com a bexiga cheia. Tenha paciência né?

Transvaginal - um cisto no ovário esquerdo, porém com contornos finos e líquido interior uniforme; ou seja, nada alarmante. Amém! Engraçado (claro que tinha que ter uma passagem engraçada) foi que quando eu tava lá na posição de frango assado, olhando meu útero por dentro pelo visor pregado no teto, começou a tocar uma musiquinha. Pensei comigo: olha que legal! Musiquinha pra acalmar a paciente!!! E quando fui comentar isso com o dr., ele atendeu o celular. Eu gargalhava tanto que ele teve de interromper o exame por alguns minutos.

Ultra-som do abdôme - normalíssimo! Até o estômago, que andou ardendo dias atrás, tá tinindo! Posso comer mandioca frita!! Ui delícia!!

Ultra-som das mamas - direita, perfeita! esquerda, dois cistos, pequititicos que não têm nenhuma característica ruim. Eba, oba, eba, oba!

Noves fora, nada! Tô quase 100% maravilhosa!!! Quase, porque quarta que vem tenho teste ergométrico, eletro e ecocardiograma. Dr. Humberto vai dizer como anda meu coração. E vai me trucidar por continuar fumando.

Eu até ia perguntar pras meninas da recepção na saída, quanto - se eu tivesse de pagar - meu cheque especial iria avermelhar a mais. Saí tão aliviada de lá que me esqueci. Mas lembrei de agradecer por ter um plano de saúde. Uh!

Agora, o que me resta é entrar num chuveiro bem quentinho, lavar todas as dobrinhas e me entregar ao deleite de uma noite de sexta chuvosa. Com direito a uma taça de vinho...

beijo.jpg


:: 06 de abril, 2006 ::
contato

fui ao centro ontem.
meu avô me mandou um abraço.
seu quarto era um laboratório parecido com o do professor pardal.
vivia experimentando.
vivia lendo.
vivia à frente do seu tempo.
veio da lituânia menino, fugindo da guerra.
tocava violino todos os dias após o almoço.
sempre as mesmas músicas.
me chamava de li.
fazia questão de silêncio absoluto na hora do jornal nacional.
brigava quando a gente entrava na cozinha pulando pela janela.
não comia carne.
não admitia brincadeiras na hora da comida.
gostava de todos à mesa.
gostava de andar à pé.
morreu dormindo.
eu tinha 13 anos.
eu tinha saudade.
não me lembro de ter sido abraçada por ele antes de ontem.
senti calor e afeto.
senti proteção e cuidado.
senti seu ombro.
chorei de emoção.
entendi que a morte não é nada daquilo que ensinaram pra gente.
que continuamos todos juntos.
separados, às vezes, pelo tempo e pelas dimensões.

- vô... toca pra eu ouvir?


:: 05 de abril, 2006 ::
no msn

Ela - cê sabe como chama aquele palhaço que pula de dentro de uma caixa depois que toca uma musiquinha?
Eu - palhaço encaixotado
Ela - é mesmo? nunca que eu ia saber...
Eu - nem eu...
Ela - que dizer que não sabia?
Eu - claro que não, alê, cê acreditou?
Ela - acreditei e já ia passando a informação pra frente...
Eu - hahahahaha
Ela - piiiiiiiiiiiiii (palavrão censurado pelo administrador)

(alguns minutos depois)

Ela - tão sugerindo jack-in-the-box
Eu - ah sim! aquela sanduicheria né?
Ela - é...
Eu - onde os sanduíches saíam pulando das caixinhas, né?
Ela - saíam nada... não vai me enganar de novo...
Eu - hahahahahahahaha
Ela - piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii (censura, eita coisa chata)

(mais alguns minutos depois)

Eu - vou cuidar da vida...
Ela - vai lá querida
Eu - beijoooooooooooo
Ela - beijo... no palhaço... encaixotado... piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eu - hahahahahahahaha

O Ministério da Saúde adverte: enganar a Alê merece um post!!!


:: 04 de abril, 2006 ::
combinado?

Na sexta-feira passada a médica tirou um pedacinho do cólo do meu útero para o papanicolau. O resultado sai dia 20.

Hoje de manhã, foi quase meio litro de sangue no laboratório. O pior desse exame é o jejum de 12 horas. Não sou nada sem café-com-leite-pão-com-manteiga de manhã. Nada! Em compensação, me convidei para um café na padaria da esquina, com direito a pão na chapa e bolachinhas. O resultado sai dia 24.

Na sexta que vem vou passar a tarde no centro de diagnósticos fazendo mamografia, ultra-sonografias e o tal do transvaginal que, apesar do tamanho descomunal daquele censor, o que mais incomoda de verdade é ter de estar com a bexiga cheia. Putz. Tenho certeza que, mais dia menos dia, vou desaguar ali mesmo, na sala de exame. Mas tá. Respirando fundo desde já.

Aquele do xixi no copinho - ai - vai ser o ó. Vou ter que colher lá no laboratório: ou o primeiro do dia ou um que fique acumulado por 3 horas. Muito provavelmente vou optar por esse último, embora já esteja me abanando aqui, só de imaginar ficar tanto tempo sem me aliviar. Sim, porque o primeiro do dia eu faço assim que pulo da cama. Não vou conseguir chegar no laboratório nem por um decreto.

Mas essa tortura ainda vai ter de esperar mais uns dias, até que eu termine aquele tratamento delicioso, que toda mulher ama de paixão, que é aplicar a tal pomadinha 10 dias seguidos, sem direito a sexo. Nossa! Eu escrevi sexo?? Assim, como quem escreve doce de leite? Como estou ficando moderna!!!

E por falar em moderna, você minha amiga e companheira, persistente leitora desse blog, já fez seus exames de rotina esse ano? Tá adiando porque deu preguiça? Porque não tem saco? Porque não tem horário no consultório? Nada disso é desculpa pra você deixar de se cuidar. Moderna, antenada e vitaminada que é, sei que vai dar uma olhada na agenda agora, nesse momento e encontrar um tempinho pra você. É importante! Por mais chato que seja! Além disso, se a gente não se cuida... já viu né? Combinado?

E você, meu amigo e companheiro, persistente leitor desse blog, acompanhe e incentive sua namorada/esposa/companheira nessa árdua tarefa. Com sua força e presença, tudo vai ficar mais fácil pra ela. Combinado?

Ficamos assim então. Quem sabe não nos encontramos em alguma sala de espera por aí...

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:: 03 de abril, 2006 ::
visões

Gi me acordou às 3 da manhã pedindo pra deitar comigo. De uns dias pra cá ela tem perdido o sono noite sim, noite não.

Deitada ao meu lado, disse que tinha acontecido uma coisa estranha, que viu um caixão em frente ao seu guarda-roupa e que não foi sonho. Começou a chorar, dizendo que não queria morrer e que não queria que ninguém da sua família morresse.

Abracei a pequena, a essa altura chorando também. Disse a ela, mais uma vez, que todos vamos morrer um dia e por isso insistia tanto com elas sobre a importância de valorizar o que se tem, de tratar a todos com carinho e respeito e de agradecer cada dia, por estarmos vivos, de fazer sempre o bem.

Ela concordava, com os lábios tremendo, tentando conter o choro. Eu a abracei novamente e ficamos um tempão assim grudadas. Convidei: vamos rezar? Ela aceitou. Depois pedi que pensasse em coisas boas, que quando algum pensamento ruim começasse a rondar, que ela lembrasse da nossa viagem à praia, ao hopi hari (ela começou a sorrir), que pensasse na sua aula de guitarra ou de balé e comecei a cantar baixinho a música do peter pan: pense uma coisa bem boa, que num instante você voa...

- Você vai dormir, mamãe?
- Não, filha, vou ficar acordada com você... quer ligar a tv?
- Mas não vai incomodar você?
- Não incomoda não... pode ligar...
- Tá... boa noite então...
- Boa noite, Gi... Deus te abençôe... Me dá sua mão, estou aqui tá?
- Tá... boa noite...
- Durma com Deus, filha...

E nesse momento eu senti que alguém nos observava. Aliás, durante todo o final de semana eu percebi que não estávamos a sós. Fiz mais uma prece. Com o coração. Quente mesmo. E imaginei uma forte onda de amor se espalhando por todos os cantos da casa. Ainda ouvi alguns estalos na sala e na cozinha e, depois de me certificar que Gi já adormecera, cai no sono também.

Engraçado foi que minutos antes dela chegar ao meu quarto, também aconteceu uma coisa esquisita comigo e eu não estava dormindo. "Vi" que estávamos vindo pra cidade, com meu pai dirigindo e ele atravessou a rodovia na frente de um carro. Era um carro da polícia. Dei uma dura nele, pedi pra prestar mais atenção e tal. Estava mentalizando inconstância quando Gi chegou...

Ó. Te contar. É uma guerra manter a paz!!!

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