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:: 29 de março, 2005 ::
Lou Cura...

Estranho achar que eu não toparia.
Não me (re)conhece não?
Sou aquela que acredita em todos os impossíveis.
Por isso, especialmente, chegamos até aqui.

E daqui só pra frente.
Tá combinado?

Então vem.
Me leva pela mão.
Me pega pelos cabelos.
Pelo coração.

Me leva.
Não estranhe.
Eu vou.


:: 26 de março, 2005 ::
Lua...

Não
Não posso impedir a luz
Abro portas, janelas e coração
Abro olhos, ouvidos, boca
Deixo os raios passarem pelos poros
Pelos porões
É assim iluminada
Prateada
Que vou ao seu encontro
Porque o o grito hoje dá adeus à escuridão
É grito de alegria
De aleluia
ALE LUA!!!!


:: 25 de março, 2005 ::
...

perdoa...
a gente não sabe o que faz...


:: 24 de março, 2005 ::
Mudança...

Cansada de esperar pelo tempo de ser feliz, levantou-se. E foi andando sem olhar para trás. Despregou-se do chão. Voou. Tudo foi ficando muito pequeno e distante. Aumentou a velocidade e o vento secou as lágrimas. Escancarou um sorriso e comprometeu-se a ser fiel e verdadeira a si mesma. Foi falando ao pé do seu ouvido: as coisas não vão se repetir, não vão, não vão, não vão. Aproveitou o balanço das palavras para marcar um compasso de dança. Divertiu-se com isso. E seguiu. Não vão. Não vão. Não vão.

Foto - Celso Brando


:: 23 de março, 2005 ::
Para pensar...

Segundo dia em casa, com o pé pra cima e já me sinto completamente inútil. Estive no ortopedista e ele me liberou da tala, mas tenho que fazer compressas com gelo três vezes ao dia, tomar um antiinflamatório de 12 em 12 horas e evitar de ficar andando pra lá e pra cá. Caminhadas e exercícios físicos só daqui 10 dias. Agora que já estava incorporando isso ao meu dia, sou obrigada a parar e ficar olhando o tempo passar.

O que Deus quer com a gente nessas situações? Fazemos um plano e num piscar de olhos tudo muda. Com que jogo de cintura encaramos isso? Como absorvemos ou digerimos a realidade? Viramos a praguejar ou procuramos aprender a lição existente nas entrelinhas?

Tempo é o que não me falta pra pensar sobre tudo. E isso tenho feito. Pensar, pensar, pensar.

Enquanto isso vou pintando os cabelos... as unhas... me ajeitando, por dentro e por fora...


:: 22 de março, 2005 ::
Nunca mais mato pernilongos...

Tomei uma decisão muito importante! Nunca mais mato pernilongos. Podem formar comunidades no canto da minha sala, embaixo da minha cama, na despensa. Não me incomodo. Podem voar em círculos sobre minha cabeça ou dançar a música do Lat(r)ino na minha orelha. Não me incomodo. De verdade!

Não, não. Não me tornei uma pessoa zen da noite pro dia. Também não criei uma ONG pra defender a vidinha besta desses bichinhos à toa.

Ocorre que ontem à noite esses coisos resolveram invadir minha casa. Nuvens deles. Muitas nuvens deles. A coisa chegou num ponto que a gente tava dando testada com pernilongo no meio da sala. Peraí né?

Fui tomada por um sentimento súbito de "vocês tão ferrados, chegou a super Lana, a maior matadora de insetos voadores e barulhentos da face da terra!". Subi no sofá atrás de um punhadinho deles, fui andando, sem desviar o olhar da tribo quando...

AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

O outro sofá tava sem a almofada. Calculei mal a altura e torci o tornozelo direito.

Sei. Sei. Os pernilongos também devem ter gargalhado muito.

Resultado?

Uma tala e pé pra cima.

Engraçado mesmo foi enfrentar o plantão do hospital numa segunda-feira, quase 10 da noite. Mas essa já é outra história.


:: 21 de março, 2005 ::
Ah... sei lá...

Talvez seja a quarta com cara de sexta.
Ou o outono que invadiu meu verão.
A chuva em vez do sol.
O um no lugar do dois.

Ah... sei lá...

O fato é que o espírito entrou pelo pé hoje.
E pra acertar isso, só dormindo outra vez.
É o que pretendo.
Assim que isso tudo passar.


:: 16 de março, 2005 ::
Rotina...

# Ignoro o primeiro jato, colho o intermediário. O resto vai pelo ralo.

# Doze horas de jejum pra me arrancarem sangue. Cinco tubos de ensaio.

# A grafia da mama espreme. Não tem mais leite. Nenhum cisto ou nódulo.

# Posição de frango assado de padaria, sou investigada por dentro. Retiram amostra de tecido.

# Um olho mágico coloca na tela à minha frente uma caverna escura e misteriosa.

- Que são aqueles buracos ali?
- Ovários.

# O laser vasculha meus ossos à procura de alguma possibilidade de falta de cálcio. Quase durmo. Não fosse o tlec tlec tlec e o medo inevitável de virar uma chapinha, teria mesmo dormido.

# Meu xixi reage e ora azul, ora amarelo, ora vermelho sai, expelindo os excessos.

###################################################

Tive vontade de chorar várias vezes nessas duas semanas de exames de rotina. Exemplo?

Quando a chuva apertou e me pegou no meio do caminho. Estava à pé. Eu e uma pequena sombrinha.

Quando a enfermeira me deixou esperando mais de 15 minutos naquela sala escura.

Quando o médico se levantou antes que eu e me deu boa tarde, sem que eu tivesse chance de fazer nenhuma das perguntas que queria. Saí de lá tão indignada que esqueci de abrir a sombrinha. E daí quis chorar porque meus óculos se encheram de pingos. E daí comecei a rir. E ri muito. E não abri a sombrinha. E cheguei rindo ao laboratório onde deixei algumas células minhas que me dirão se sou C1, C2, C3 ou sei lá o quê.

Tô ótima viu? Pra lá de ótima! E aquele doutor não perde por esperar...



:: 14 de março, 2005 ::
Segunda-feira...

Semana começou acelerada! No serviço a temperatura cada vez mais quente. Depois de deixar a exposição de poesias devidamente inaugurada lá no Espaço Cultural "Eduardo Gomes", paro na porta pra ver a chuva cair. São 8 e meia da noite. Vontade de arrancar a sandália e correr na chuva. Me controlo. Além da bolsa e do saco de pão, carrego minha agenda cheinha de papéis que não podem se molhar. Meus pedidos de exames, as contas todas bem clipadas, o jogo feito da lotofácil. Pense a dificuldade em convencer a moça da lotérica que aquela papa ali é o bilhete premiado.

Meu pai chega pra me buscar enquanto o céu desaba. Não corri até o carro. Fui bem devagarinho. Pra dar tempo de desmanchar a escova que fiz hoje na hora do almoço. Lambo a chuva. Salgada. Gosto de lágrima. Que não chorei. Já em casa, me enfio no chuveiro e conto pra Gi uma história engraçada de quando ela tinha ano e meio. Vamos buscar as imagens nos velhos álbuns de fotografias e rimos muito dos tamanhos das bochechas, dos pés, das mãos. Os olhos são os mesmos. E ainda sorriem.

Lu decide que está com fome novamente e vai pra cozinha se virar. O tempo passou acelerado. É com alegria enorme que constato o quanto crescemos. As três.


:: 12 de março, 2005 ::
Sorte

Eu
tenho
a
sorte
de
um
amor
tranquilo
com
sabor
de
fruta
mordidaaaaaaaaaaa

Amém!
Pra nós também!


:: 10 de março, 2005 ::
Santa Insanidade...

Admiro pessoas inteligentes. Dessas que usam seus neurônios para encontrar curas, soluções, alternativas que visam ajudar a humanidade a ser mais legal, mais justa, mais autêntica e íntegra.

Mas assim como existem os do bem, existem os do mal. Esses últimos, certamente em maior quantidade. E o que dizer dessas pessoinhas que passam noites em claro tentando dar um jeito de atormentar nossas vidas? Estou falando desses pobres de espírito que criam vírus para invadir a nossa suposta privacidade. Alegam os manés que isso prova a vulnerabilidade do sistema. Tá bom! E provam o que mais? Que são uns idiotas completos? Que não colaboram em nada? Que são inteligentes, mas sua força torna-se um fiasco diante do fim a que se propõe?

Ah, sabem do que mais? Vão catar coquinho, tá? Vão procurar serviço. Vão construir suas vidas, em vez de tentar destruir as nossas já tão cansadas de tanta invasão. E como diria meu avô: vão carpir café!!!!!

Saco!


:: 08 de março, 2005 ::
Viva!!!!

E pra gente nada????

TUUUUUUUUUUUUDOOOOOOO!!!

De melhor
De mais gostoso
De mais saudável
De mais feliz
De mais bonito
De mais tranquilo possível!!!!

E que a gente não se canse nunca de espalhar fantasia, magia, doçura, melodia no ar...