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:: 28 de dezembro, 2004 ::
A onda...

Meu irmão me ligou agora a pouco e entre tantos assuntos – mais de 6 meses sem nos ver – inevitável falar sobre as tsunamis que engoliram parte da Ásia e da África.

- “Pra mim foi um teste nuclear que deu merda!” – disse ele.

Tem muita gente, alguns amigos meus inclusive, dizendo que são sinais dos céus, que está na Bíblia, que antes dos dias finais, assistiríamos a grandes tragédias.

O fato é que esse acontecimento pesou. Não apenas porque estamos a alguns dias de 2005 e estamos todos cansados. Cansados das nossas lutas particulares, dos nossos quereres que não deram certo, dos nossos tiros no escuro. O mundo está cansado. Cansado de guerra, de sangue, de morte. Estamos cansados de sermos maltratados, extremamente necessitados de colo e acreditamos que o cenário pode mudar magicamente após as 12 badaladas da meia-noite. Esquecemos que depois de dezembro vem janeiro e a vida continua igual, se nada fizermos para mudar.

O mundo está se mexendo. O planeta grita. E isso me faz pensar na escala de valores que temos dado à vida.Qual a hierarquia? Sentimentos em primeiro lugar? Conforto, saúde, trabalho? Família, lazer, amigos? O que realmente importa? O que faz falta de verdade?

Então saio ali na varanda e olho o céu. Enquanto converso com as estrelas e com a lua que mingua amarela me dou conta do quanto somos frágeis. Escuto o silêncio que me envolve. Deixo meu coração bater sossegado. Descubro que não tem outro jeito. Se eu quiser ter paz, devo fazer um ninho pra ela aqui dentro de mim. Só assim o próximo janeiro poderá ser diferente. Só assim, mesmo admitindo minha fragilidade, serei forte.


:: 24 de dezembro, 2004 ::
Especialmente simples...

Despojamento

Eliminei o excesso de paisagem

simplifiquei toda a decoração

retirei quadros flores ornamentos

apaguei velas copos guardanapos

e a música


Bani a inutilidade do discurso

Na mesa de madeira

nua

apenas dois pratos

brancos

sem talheres

O banquete será tua presença


Ivo Barroso - poeta e tradutor

Sim. Já havia colocado essa poesia aqui no horizonte. Mas foram outros tempos. Hoje, véspera de natal, ela tem outro significado. E não tô falando de chester, peru, tender, leitoa pururuca, farofa, maionese, doces, vinho ou cerveja. Tô falando de ser feliz com coisas simples. Só isso. Tão bom...

Ah, sim! FELIZ NATAL PRA TODOS NÓS!!!! HO HO HO HO HO...


:: 22 de dezembro, 2004 ::
Encanto...

Luz de velas...

Sempre gostei. Meus candelabros são litros vazios (azuis e verdes) por onde a cera colorida derrete esculpindo o tempo. Gosto da magia da chama que hipnotiza. Da luz morna e trêmula. Das sombras.

Luz de velas...

Bom ver a penumbra. Buscar nela mais que cheiro, gosto, som. E ainda sentir a pele, mesmo que o tempo já tenha escorrido.

Luz de velas...

E tudo guardado aqui nos meus olhos que teimam em não piscar. Para não perder o encantamento. Nem a disposição.

Em tempo: teremos neve no natal?


:: 15 de dezembro, 2004 ::
Retoques...

Tá marcado. 10 da manhã estarei lá. Na verdade não será um simples retoque. Terá de ser totalmente refeita. Mas vou poder escolher as cores. A meia-lua eu quero laranja-amarelada e as asas da borboleta, azul, rosa e lilás. Como brinde vou ganhar uma ou duas ou três estrelinhas. Que irão se alojar no meu tornozelo esquerdo. Provavelmente. Fiquei bem feliz com esse presente que estou me dando. Bom sinal quando me cuido e me gosto. Bom sinal.

E é assim que estou nos últimos dias. Em fase de faxina total. Nem um papelzinho me escapa. Serve? Guardo. Não preciso mais? Jogo fora. Com isso, tenho aliviado minha carga. Fica só aquilo que realmente importa. Chega de carregar o peso do tempo. Chega de viver de lembranças. Quero o hoje, o agora, porque é nele que respiro.

Coloco aquela foto no porta-retrato. E deixo em cima da mesinha. Sento-me no sofá em frente e fico ali olhando. Desenho uma história bonita e intensa. Já sei, antes mesmo que o tempo passe muito, que vai ficar marcada, feito a tatuagem. Vai precisar de retoques. Vai. A diferença é que agora estou disposta.

E você? Ainda quer cantar comigo?

...quero ficar no teu corpo, feito tatuagem
que é pra te dar coragem, pra seguir viagem
quando a noite vem...


:: 12 de dezembro, 2004 ::
Simples...

Recebi esse texto por mail faz um tempo. Já naquela época achei lindo e verdadeiro demais. Uma longa conversa via msn, madrugada passada, me fez lembrar alguns trechos dele. Fui procurar nos meus guardados e aqui está. Não sei quem é o(a) autor(a), mas os grifos são meus. Lê aí e vê se não tem tudo a ver...

Impressionante como as pessoas estão confusas, perdidas e sem saber como agir quando o assunto é amor, relacionamento, fidelidade, comportamento masculino, feminino, enfim, quando o assunto passa pelo coração.

Parece que algo muito grave anda acontecendo. No entanto, acredito que para termos chegado a este ponto, onde homens e mulheres sentem-se constantemente insatisfeitos, procurando maneiras (cada qual como sabe melhor fazer) de compensar suas carências e até a raiva por não conseguir serem felizes nos relacionamentos, é porque há um motivo anterior, um ponto a ser observado que antecede toda esta confusão.

A ala das mulheres tenta se defender alegando que os homens traem com uma frequência muito maior que elas. Assim, declaram guerra contra os "cafajestes". Já a ala masculina insiste em dizer que as mulheres não são confiáveis, são interesseiras, cobram demais ou são mal-humoradas.

Enfim, parece que há uma confusão generalizada, que destrói sonhos, desejos, amores, boas intenções e possibilidades de encontros que nos acrescentem e nos conduzam à tão almejada evolução. É isso: parece que os relacionamentos deixaram de ser sagrados, não no sentido de perfeitos, mas no que se refere a algo onde se pode investir mais, entregar mais, dar mais, aprender e crescer mais.

E o mais intrigante é que ambos - homens e mulheres - buscam exatamente a mesma coisa, embora acreditem que não, embora tenham a impressão de que se tornaram lutadores de idéias antagônicas, de objetivos absolutamente diferentes. Portanto a questão é: por que embora desejemos a mesma felicidade, o mesmo relacionamento, a mesma satisfação, tudo o que temos conseguido é decepção e desilusão? Como podemos promover encontros válidos e mais duradouros? Como podemos estabelecer maior confiança e disponibilidade entre os sexos e suas diferenças?

Sim, porque cada um tem o seu jeito de amar, de se doar, de compreender o amor e seus "parâmetros" de convivência.

Sei que é difícil entender o comportamento dos homens quando se é uma mulher. E vice-versa. Mas, de verdade, penso que as diferenças devam ser mais amorosamente acolhidas e menos - muito menos - julgadas e criticadas. Em vez de desperdiçarmos toda a nossa energia e o nosso tempo justificando nossa insatisfação a partir do comportamento do sexo oposto, que tal nos voltarmos mais para nós mesmos e simplesmente fazermos a nossa parte?

De que estou falando? Simples! Estou sugerindo que você demonstre exatamente o que quer, que aja conforme seus objetivos, que deixe no armário as suas máscaras, os seus jogos, o seu desejo de parecer independente, auto-suficiente, completamente livre para ser feliz sem o outro. Ter auto-estima é fundamental, mas quando a gente levanta uma bandeira do tipo "sou feliz sozinho e não preciso de você!", a gente termina assustando e afastando as pessoas.

Entretanto, todos esses sentimentos - solidão, tristeza, indignação, desejo de se relacionar, muita vontade de dividir segredos, alegrias, cobertor e até problemas - ficam camuflados em sorrisos falsos que lotam as danceterias, os bares, as festas, os cinemas e demais lugares que você possa imaginar. Ou seja, a linguagem não está clara, os desejos estão maquiados, as carências estão disfarçadas. E nos esquecemos de que as pessoas só enxergam na gente o que a gente mostra. Então, tudo o que um vê no outro é um imenso engano! E os encontros se tornam enganos. E o amor, infelizmente, tem se tornado o maior deles.

Sugiro mais exposição, mais transparência, mais coragem de ser quem você é, com seus medos, seus desejos e sua vontade de amar e ser amado. Sugiro que você seja coerente consigo mesmo, que mostre seus sentimentos e se assuma, mesmo sabendo que isso não é, em princípio, garantia para encontrar o grande amor da sua vida neste próximo final de semana. (Mas pode acontecer... rs)

Acredite no ritmo da vida e faça a sua parte, sem ficar vestindo essa fantasia de mulher-independente-e-auto-suficiente ou de homem-viril-macho-pega-todas. Sem essa de que o amor já era! Nunca estivemos tão carentes, tão sedentos de um simples cafuné, de um olhar mais demorado, de uma palavra mais carinhosa, de um abraço mais sincero. Assuma-se e seja mais feliz!


:: 09 de dezembro, 2004 ::
Emeéles...

Sabe aqueles copinhos que vêm junto com os vidros de remédio? Que servem pra gente medir a quantidade a ser ingerida? Pois é. Tenho uma coleção deles aqui. Pititicos, médios, longos, chatucos. Desde domingo estamos repassando toda a tropa. As meninas resolveram curtir uma dor de garganta juntas e tem hora eu olho na pia e conto uns 15 copinhos desses. É xarope, é própolis com mel, é antitérmico, é antialérgico, é antibiótico. Tô com urticária dos tais emeéles.

Virose? Mudança de tempo? Nada disso. Abusamos mesmo e tenho que fazer uma mea culpa de leve aqui. Esqueci de falar pra elas tomarem um golinho d’água antes do sorvete. Sim, sim, confesso! Enchemos a cara de sorvete sim! E foi uma das noites mais divertidas dos últimos tempos. Tá bom, tá bom. Vou resumir, prometo!!!

No sábado fomos ver o coral de anjos na praça. Entre os anjinhos, vestidinhos de branco, com velas na mão e (juro!!) auréola na cabeça, estava quem? Quem? A Gi! Depois da cantoria foi inaugurada a iluminação natalina da catedral (linda, linda, linda). A noite deliciosa de verão praticamente nos empurrou até a sorveteria, logo depois que as meninas escorregaram quatrocentas e vinte e nove vezes no brinquedo da praça. Corpo suado + sorvete gelado = garganta inflamada. Lógico! E tudo estava tão perfeito que nem lembrei do santo gole d’água que meu avô ensinou. - "Um golinho antes e outro depois", dizia o vô Felício. Infalível! Esqueci. Falhou.

Tá. Mas peraí que mereço desconto! Nada de pedras ou cruz. Eu tinha motivos de sobra pra me descuidar dois minutinhos. Tinha sim! Havia no meio dessa praça, dessa gente, dessas luzes, desse sorvete, dessa noite, um par de olhos sorrindo pra mim... E eu não resisti...


:: 07 de dezembro, 2004 ::
Uai!

Ah!
Eu adoro uma contravenção...

Manter o equilíbrio e rir da possibilidade do tombo é coisa que se adquire com o tempo.

Mesmo quando desce um frio pela espinha e gela a barriga da minha perna. Mesmo quando tenho poucas fichas.
Mesmo quando a ameaça vem.
Ainda assim insisto.
E acredito.
Oras, bolas, pipocas!!!!


:: 04 de dezembro, 2004 ::
Um novo sentido?

A chegada de dezembro sempre fez festa em mim. A árvore, os enfeites, as luzes coloridas, a esperança de tudo se renovar com a chegada do menino-deus é uma das sensações mais doces que tenho comigo. Desde criança.

Houve um hiato, no entanto. Houve um achar natal normal, uma data como outra qualquer. Essa fase coincidiu com o auge da minha rebeldia e tudo o que eu conseguia enxergar naquela mesa farta era um enorme desperdício.

Com a chegada de Lu e Gi na minha vida o natal recuperou seu antigo significado. Há um sopro diferente sim. Um sopro divino talvez. Há gosto pela família reunida, há encanto nas luzes piscando, na casa que se enfeita para atrair uma energia diferente. Há uma esperança.

É com alegria e acreditando na paz que abro as portas, as janelas, o coração. Estendo minhas mãos para dar e receber amor. Para que a vida tenha sentido. Para fazer alguma diferença. Para valer a pena.

Deixo-me contagiar.