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:: 29 de novembro, 2004 ::
Contemplação...

Tenho sono. O trabalho está feito. O dia está ganho. O corpo não acompanha a alma, leve e solta. O corpo tem sono. A alma canta. E canta alto, rindo das tempestades que já se foram. Adeus raios e trovões. Adeus nuvens negras. Adeus ventanias e temporais. Depois de muito açoite, a hora é de dançar. Como bambu ao sabor do vento.

Que ninguém ouse tentar me deter. Adquiri garras afiadas confinada naquela caverna. Aprendi a enxergar no escuro e a sentir qualquer cheiro ou movimento estranho. Pronta para o ataque, apenas as pontas dos pés tocam o chão. Metade mulher, metade fera, deixo o tempo escorrer. E molhar. Assim me entrego e assumo o controle de rodopiar. E de me sentir segura. Assim acredito na possibilidade de ser plena.

Eu que sempre vivi pela metade, tentando arrastar comigo o corpo cansado, experimento a beleza de compartilhar. O corpo tem sono, mas não pesa porque a alma tem sede. De vida. E posso, finalmente, fartar-me.


:: 27 de novembro, 2004 ::
Diferente...

Tem várias coisas diferentes em mim. Não me refiro apenas ao corpo e à cabeça mais leves. Falo de atitude. De postura. De pensar positivo. De dizer (sempre) a verdade e segurar as pontas. De me garantir. De ser mais eu. Falo de viver o hoje. De praticar a serenidade e a paciência. De olhar a lua cheia no céu e ficar injuriada sem sua presença aqui. Falo de um sorriso que teima em não morrer. De simplicidade. De prazer. De qualidade.

Tem várias coisas diferentes em mim. Como a enorme determinação em fazer e ser feliz. Disso não abro mão.

Tem várias coisas diferentes em mim. A principal delas continua sendo você.


:: 23 de novembro, 2004 ::
É isso...

Eu sei que isso deveria ser atualizado com maior freqüência. Mas a vida real tem me mantido ocupada demais. Agora por exemplo, espero por um telefonema que pode salvar minha noite. É tudo muito rápido e forte. Nem mesmo o medo consegue me fazer parar. Deixo que as coisas aconteçam no ritmo delas. Mas interfiro quando considero necessário. Experimento o sabor de escolher qual rumo tomar. Tomo a iniciativa. E me pego dançando pela sala. Invento um jeito diferente de falar com o corpo. Reconheço meus limites, mas eles já são pouco importantes diante do todo. Abuso da sorte. Dou gargalhadas de doer a barriga e de escorrer lágrimas. Com licença. Dois passinhos à frente, por favor. Há tempos venho me preparando pra esse momento. É bom flutuar. É bom viver delícias. É bom comer bombom. E ver a estrada passar. E olhar tudo pelo espelho. E guardar num lugar especial aqui dentro o palco, as luzes, a música, o café com leite e sal, o domingo ensolarado, você.


:: 18 de novembro, 2004 ::
Pacote de emoções...

Lá estava ele. O horizonte geométrico à minha frente. Lá estava eu, de volta à minha Sampa querida. Depois de anos longe, fazer parte novamente desse cenário esfriou minha barriga. Eu sabia, desde o início da viagem que viveria fortes emoções. E estava certa...

(E não quero enganar ninguém.... A história é longa, portanto melhor pegar um copo d’água, café, sentar-se confortavelmente ou então sair de fininho e voltar daqui uns dias... rs)

Às 11 da manhã estava em frente ao prédio da Ale. Enquanto me identificava com o porteiro uma voz lá de dentro me chamou:

- Lana?
- Lana sou eu...

Era Rita, a babá da Chiarela que por coincidência estava subindo naquele momento. Peguei carona com ela até o 13º andar. Fui entrando, largando minhas coisas na sala e Chiara veio me encontrar:

- Sabia que eu também danço balé?

Ale deu um grito e correu pro quarto se vestir... hehehehehe... peguei-a em trajes íntimos... hehehehehehe.... Nos abraçamos forte forte forte. Tasquei um beijo na bochecha dela e olhei nos olhos mais verdes e vivos do mundo. Ale é brilhante!

Papeei com Chiara, ela apresentou pra gente a coreografia que vai dançar no palco, no final do ano e antes de ir pra escola, me levou pra conhecer Prozac e Mônica, os cães que moram no solarium...

Ah! O solariummmmmmmmmmm!!!! Ele existe sim e é uma coisa de lindo. A vista é maravilhosa a qualquer hora do dia ou da noite. Aliás, ver o dia nascendo de lá foi com certeza um dos pontos altos dessa história... ai ai ai...

Voltando...

- Ale, tem cenoura? Farinha, fermento, chocolate, ovos?
- ?????
- Prometi um bolo de cenoura pro Madeo...

Com toda paciência do mundo, Ale me leva ao supermercado pra comprar os ingredientes, onde aproveitamos pra “almoçar” frutas. De volta pra casa, invadi a cozinha e – tchanammmmmmm – saiu o tal bolo.

Resolvi tomar um banho e Ale me emprestou sua superbanheira (com hidromassagem e tudo!! Babem, babem... rs), onde submergi e perdi a noção do tempo. Aquilo não foi um banho, foi uma viagem ao fundo do mar... hahahahahahaha... delícia...

Comemos um shiitake especialíssimo, vimos fotos de outras épocas boas e tocamos pro Terminal Rodoviário Tietê onde nos esperavam (desesperados, diga-se de passagem... rs) Manitcha e Madeo.

- Ale.... cê sabe com chegar lá?
- Calma Lanitcha... a gente chega...

E não é que chegamos mesmo??? Viramos daqui, contornamos dali, cruzamos por cima, retornamos por baixo e – plim! Deu certo!!! Lá estavam eles no ponto de ônibus. Manitcha me arrancou do carro pra gente cair num longo abraço. (Ainda sinto o calor aqui...). Me olhou nos olhos, me abraçou de novo. Do lado do coração. Pulei no pescoço do Madeo e gritamos juntos: ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Todos de volta ao carro Ale fez a pergunta que não queria calar:

- Casa ou chopp???
- CHOOOOPPPPPPPPPPP!!!!!!!!


Fomos a um pizzaria lindinha lá na Vila Madalena que funciona num casarão antigo, lindo lindo. Depois do tim-tim o primeiro gole desceu redondo, comemorando nosso (re)encontro marcado há 20 vidas atrás... Comidos, bebidos, abraçados, conversados, lá vem Ale de novo:

- Karaokê???
- ...
- Tá bom, vocês estão cansados e...
- Vamos sim, Ale, vamos cantar uma música e meia... – salvou Manitcha.

Pra resumir fomos os últimos a sair do lugar, lá pelas 2 e tantas da manhã. Ale tem uma roqueira adormecida dentro dela. Madeo é o eterno apaixonado, canta olhando nos olhos de Manitcha. Esta então, arrasou. Afinada até a última geração, arrancou aplausos do público e teve de dar autógrafo e tudo. Chique!!! Eu e Ale embarcamos numa sertaneja lascada, ali da mesa mesmo, chegando a encobrir a voz da dupla que se esgoelava no palco... hehehehe... Inesquecível Ale... inesquecível...

(Mea culpa, mea culpa.... não temos fotos disso.... unhéééééééééééééééé)

Fui eleita a motorista para a volta e enquanto meus companheiros de viagem disputavam quem falava mais besteira, eu tentava digerir a enorme quantidade de emoções vividas até ali. Era só o primeiro dia e eu não me cabia de feliz. Ainda derramando lágrimas, não cansava de dizer baixinho: “brigada meu Deus, brigada meu Deus, brigada meu Deus”.

Na manhã seguinte Manitcha e Madeo tinham compromissos de trabalho e eu e Chiara fomos assistir Procurando Nemo. Nos trechos tristes ou de suspense, a gente cobria a cabeça com o edredon. Minha amizade com Chiara já existia antes mesmo da gente se falar. Outra benção. Outro presente de Deus.

Ale queria dar um tapa no visual e passamos no salão de beleza, antes de encontrarmos Manitcha e Madeo que estavam no Bar Brahma, acertando os últimos detalhes para o show da noite.

- Ale... cê sabe chegar na Ipiranga com a São João?
- Vou ligar pra papis...

(muitos blá-blá-blás depois...)

- É fácil, Nitcha... só ir em frente...
- Hurum...


A chuva começou a aumentar, a gente não via as placas, o trânsito virou um inferno... Sim aquela era a paulicéia desvairada... literalmente... Primeiro rimos, depois silenciamos e estávamos quase entrando em pânico e caindo no choro quando olhamos a placa “Bar Brahma”. Uhuuuuuuuuuuuuuuuuu!!! Chegamos!!!

Manitcha e Madeo estavam terminando de acertar tudo, Ronaldo passava as músicas no violão quando chegou Ricardo, o saxofonista que também iria participar do show. Prazer, prazer, té mais, té mais, fomos pra casa descansar, tomar banho, passar perfume pra voltar mais tarde.

Enquanto Ale e Manitcha babavam no travesseiro, eu e Madeo pegamos num papo do bom e só voltamos à realidade quando um helicóptero passou pertinho do solarium fazendo um barulhão. Saímos os dois gritando e pulando: Me filma, Galvão! Me filma! Hahahahahahaha....

Bom criançada, 'bora todo mundo se arrumar porque a hora tá chegando. Veio Aninha, amiga da Ale e lá fomos nós felizes da vida. Quel e Douglas já nos esperavam no bar. Devidamente acomodados ouvimos o locutor da casa chamar:

- Com vocêêêêêêêssssssssssssssss.... Claudiaaaaaaaaaaa Teeeeeeeeeeellesssssssssssssss!!!!!!

E ela entra linda linda linda, um sorriso enorme, uma aura incrível. Acompanhada do violão de primeira qualidade de Ronaldo vai emendando uma bossa na outra, nos encantando, nos hipnotizando. Tentando disfarçar as lágrimas, me beliscava pra acreditar que era eu aquela pessoa sentanda àquela mesa, naquele bar, naquela hora. Claudinha chama Mazzioti pra cantar com ela e aquele baita vozeirão casa perfeitamente com os agudos dela. (Por favor, parem alguns minutos para ouvir a música Bastante... parem...). Pra encerrar o show, Ricardo se junta a ela e a Ronaldo e empresta a harmonia do sax pra enfeitar ainda mais nossa noite.

Tão bom quanto ver Claudinha cantando é sentar ao lado dela e conhecer de perto essa figura humana maravilhosa. Gratificante vê-la recebendo abraços, carinhos e distribuindo autógrafos, sendo reconhecida como ela verdadeiramente é: a maior cantora de bossa nova do muuuuuuuuuuuuundo!!!

Obviamente fomos os últimos a deixar o Brahma.... Beijo e queijo pra quem fica, até a próxima, tudo de bom, sorte, sucesso, amém!!

Obviamente que a noite não acabou aqui e sim no solarium, com o dia amanhecendo lindamente e muita coisa boa acontecendo. Mas essa já é outra história. Um dia eu conto... rs...

Na viagem de volta eu ria, chorava, ria, chorava.... dois dias... quanta coisa cabe em dois dias... Voltei com a certeza de que estou viva, que tenho amigos valiosos, amigos para sempre e – principalmente – voltei com a certeza de que vou voltar.... ahhhhhhhhh vou!!!!!

BRIGADA DEUS!!!

(Papai Noel! Não precisa se preocupar comigo viu? Tô considerando esse pacote de emoções como meu presente de natal antecipado...)


:: 14 de novembro, 2004 ::
Meia volta, volver...

Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera:


Ana Cristina Cesar


Uma pergunta: por que 2 dias parecem 20 anos?
Mais uma: quanto tempo existe entre uma boca e outra?
A última: vem cá, te conheço?



:: 10 de novembro, 2004 ::
Vamos?

Caminhando contra o vento
sem lenço
sem documento
no sol de quase dezembro

EU VOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU...



:: 08 de novembro, 2004 ::
yeah!

vem segunda...
pode vir...
que eu tô feliz...


:: 06 de novembro, 2004 ::
De vento em... popa...

ok, ok passarinhos...
vamos combinar?
eu como as de baixo
vocês as de cima

ou então
me ensinem a voar...


:: 01 de novembro, 2004 ::
Curtas...

• Levo um teco de panetone à boca e o gosto de natal me invade....

• As meninas foram ao cinema ver novamente “O Espanta Tubarão”. Fui com elas no sábado, mas hoje estão lá, sem a mãe e com a amiga Macó. Muito provavelmente o filme terá sabor diferente...

• O melhor das eleições nos EUA: o voto não é obrigatório...

• A estratégia foi perfeita. O silêncio somado ao silêncio e mais um tanto de silêncio deu certo. Secou. É...

• Nossa secretária esteve de mal humor o dia todo. Minha dúvida é o motivo do beiço: o corte do feriadão ou o fato de ainda não ter recebido o salário. Empatamos colega! 2 x 2 pra gente...

• Depilo as pernas, faço as unhas, tiro as sobrancelhas. Não deixo de caminhar. Insisto nos hidratantes e não esqueço das gotas de perfume nos pulsos e a na nuca....

• Vi muitas fotos entre ontem e hoje. Coloquei ordem no tempo...

• Estava precisando dessas horas de solidão...

• A barraca está armada no quintal. Ainda não conseguimos passar uma noite lá. Ou é o frio, ou é a chuva, ou é o frio. E já é novembro....

• Adiantar ou atrasar os relógios??? Pense rápido...

• Nazaré deverá rolar daquela escada no penúltimo capítulo da novela....

• Diminuí, mas ainda não parei de fumar...

• O mau tempo me impediu de experimentar a vassoura nova. Uma pena, já que a lua cheia vinha dando espetáculos desde o eclipse. A colher de pau e o caldeirão, no entanto, tiveram muito trabalho...

• Tem uma palavra batucando na minha cabeça, no meu coração: o-bri-ga-da-o-bri-ga-da-o-bri-ga-da-o-bri-ga-da...

• Achei chá verde no mercado...

• Fred fez xixi na caixa onde eu estava guardando meus tsurus...

• Já sei o que vou pedir ao Papai Noel...