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:: 29 de outubro, 2004 ::
O tempo
Sempre tive mania de contar o tempo. De colocar data em tudo. Marco em um calendário os aniversários das pessoas queridas. Tenho diários que escrevo desde mil novecentos e bolinha. Registro minha vida em linhas. Em páginas brancas. E, de vez em quando, mergulho nelas. Não fossem as rugas, os fios brancos, o cansaço no corpo e na alma, diria que sou a mesma moleca que enchia de segredos aqueles cadernos. O tempo – parece – resolveu vingar-se e agora é ele a me marcar. Impiedosamente. Sem chances. Olho para trás. Ninguém. Para frente. Ninguém. A meu lado. O tempo. Meu sempre companheiro. E ele balança sua linha diante dos meus olhos hipnotizados. Luto ainda. Tento agarrar a última raiz. Em vão. Passam por mim todas as histórias que já escrevi. As palavras dão-se as mãos e formam uma imensa roda. Uma espiral. E falam juntas. Ouço-as perfeitamente bem. Sinto o peso de todas elas. Compreendo-as. E em sinal de respeito, deixo que sigam seu caminho. Lá vão elas feito borboletas.
Olho pro lado e o tempo me diz: - Escreve de uma vez por todas a sua história. Chega de papéis secundários e ridículos. Chega de ser coadjuvante. Vai. Escreve a sua história. E tenho outra alternativa???
:: 27 de outubro, 2004 ::
Cuidado!!!!
A BRUXA TA SOLTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!! YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YAYA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YAYA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YAYA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA YA
:: 23 de outubro, 2004 ::
Preta???
Estava eu a dobrar as cobertas hoje de manhã quando, de repente, não mais que de repente, escorregou do meio do edredon nada mais, nada menos do que uma... um... uma... um... um parente próximo dos dinossauros. Sim. Isso mesmo! Dormi com uma lagartixa. Das pretas. Nunca tinha visto lagartixa preta. Branca, bege, rosa claro, amarelinha e cinza tem aos montes aqui na varanda. Fico observando-as fazendo suas refeições e suas necessidades físicas (inclusive aquilo... rs). Interessante, né? Mas voltando à lagartixa preta (você sabia que existe lagartixa preta???), foi um auê logo cedo por aqui: - Lu, pega uma peneira! A bichinha (ou bichinho, sei lá, impossível verificar o sexo do animal naquela situação, concordam?), estava na ponta da cama. Voei com a peneira em cima dela. Presa, virou uma fera. Atacava as partes plásticas do meu super catador de lagartixas. - Gi, dá uma sprayzada nela, pra deixar grogue! - Lu, traz a caixa pra perto da cama! - Mamãe, isso não é um filhote de cobra? Com muito custo joguei a coisa trêbada na caixa, tapei e corri, corri, corri até o lixo, com aquele troço literalmente se tacando nas paredes (hehehehehehe), batucando dentro de sua cela, fazendo força pra escapar. Na minha mão não, violão! Dei um nó no saco de lixo! Ufa! Tá certo. Eu sei. Concordo. Sou uma monstra! Já pedi perdão pelo ato insano e tudo o mais. Mas não ia conseguir dormir imaginando aquele treco gelado e preto passeando pela minha cama. Você conseguiria?? Duvido!!! Tá certo. Eu sei. Concordo. Tem espaço de sobra na minha cama. Mas lagartixa???? Isso é demais!!!
Taí menina! A idéia do post foi sua... rs...
:: 21 de outubro, 2004 ::
Água mole em pedra dura...
A semana começou com uma visita ao dentista. No domingo quebrei um dente láááááááá de trás comendo bolacha. O dinheiro que seria utilizado pra recarregar o celular, foi-se. Não bastasse ser segunda, choveu. Choveu, choveu, choveu. Chego do trabalho e lá está ela! A goteira-cachoeira inundando a ala leste da casa. Até pensei em me energizar, porque precisando estou, não há dúvida. Um bom banho de cachoeira é uma das minhas prioridades no momento. Mas, tratei de voltar à realidade e arregaçar as calças até as canelas, dispensar o casaquinho na cadeira da cozinha, prender o cabelo num rabo meia boca e dá-lhe espremer pano no balde. A situação passou de todos os limites e está me incomodando demais porque além da inundação que tento conter com panos e jornais, não posso usar aquele quarto pra mais nada, caramba! Daí já viu, né? Saí perguntando pra quem eu encontrava: - você conhece um pedreiro? O primeiro candidato apareceu hoje!!! - seja bem vindo, senhor pedreiro!!! Olha daqui, coça a cabeça de lá, vê pelo lado de fora, volta pra dentro. Diagnóstico???? - tem que esperar parar de chover, tirar as telhas pra ver onde é o problema... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Tá certo seu pedreiro. Tá certo. Da próxima vez chamo um oftalmologista ou um filósofo, né mesmo? Talvez um psiquiatra que me faça compreender os motivos pelos quais a goteira-cachoeira escorre pela parede. Pela-mor-dos-meus-baixinhos!!!! Não, não. Não taquei o pedreiro na parede. Mas estou a ponto de tacar uma marreta nela e acabar com a goteira-cachoeira de uma vez por todas. Solução imediata?? Colocar um lona por cima do telhado e esperar o próximo dilúvio. Conforme o resultado, utilizarei a marreta, sem dó nem piedade. Sim, sim. Estou quase em pânico. Eu disse quase. Na noite desta terça-feira tive um daqueles meus siricuticos de “muda tudo do lugar”, movimentos esses que são acompanhados à distância por Lu e Gi: - de novo... Tudo começou porque a estante de livro despencou de um lado. Lá vou eu dar um jeito na madame. - dona estante, que tal mudarmos de parede? A danada topou na hora! E já que a estante saiu daqui, não seria bom mudar os armários das meninas pra cá, voltar o sofazinho ali, a cômoda embaixo da janela, a escrivaninha e os apetrechos de estudo naquele outro canto??? Resultado?? Banho quente lá pelas 10 da noite, quebrada, moída, mas... satisfeita! Com toda essa revolução, acabei aproveitando pra separar tudo o que não se usa mais por aqui, inclusive roupas, sapatos, brinquedos, livros, revistas e afins. Três ou quatro sacolas imensas a serem doadas. Oba! Há dias tenho lido e ouvido sobre a importância de não guardar nada que esteja quebrado, sem uso, esquecido. Que isso só serve pra acumular energia negativa e tal. Posso dizer com toda certeza que estamos respirando mais leve por aqui. Ainda falta muita coisa. Engraçado que quando a gente começa a arrumar uma coisa, acaba percebendo que existem muitas outras que foram arquivadas pra depois. Pra quê aquele monte de latinhas lá no armário da despensa, com papéizinhos, pedaços de rolha, barbante, fio elétrico e elástico??? Me diz como vão parar naquela cestinha em cima da geladeira bolas de gude, grampos, imãs, fósforos, balas e moedas??? Também não sei. E mais. Certamente, em menos de 15 dias, essa população flutuante de objetos animados estará de volta às latinhas e cestinhas. Desconfio que fazem isso de madrugada, só pode ser!!! De qualquer forma, estou empenhada aqui. Vou aos poucos, sem pressa, mas agora até o fim! Quero fazer a energia circular. Dentro e fora. Coisa importante aprendi com isso tudo: se quiser ação eu tenho de ser a protagonista. Eu tenho de ser a sujeita da oração. Serei, uai!!! Enquanto escrevia o celular tocou me avisando que tenho uma nova mensagem. Teclo em “mostrar” e lá está o fecho da noite, com chave de ouro: - recarregue seu celular e volte a fazer ligações normalmente... Tá vivo gente!!! Ele tá vivo!!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHA Eu me rendo! Cadê meu pijama? Preciso do meu edredon, meus travesseiros, meia luz, noticiário baixinho na tv... pra dor... mir... boa... zzzzzzz.... noite... zzzzzzzzzzzzzzzzz....
:: 17 de outubro, 2004 ::
Assim...
Não. Não é o que vivemos de ruim que me deixa assim. Quando cenas tristes me vêm à cabeça, desvio o pensamento. Não alimento. O fato de você estar vivendo sua vida e eu a minha também não me deixa assim. Essa era a única certeza que eu tinha, embora não soubesse - como sei agora - o que significa eu pra cá, você pra lá. O que me deixa assim é que sobrou bem pouco de nós. Não. Não vivemos só coisas ruins. Me lembro de estar certa de que não haveria outro destino para nós a não ser ficarmos velhos juntos. Tive essa impressão algumas vezes. Descobri, no entanto, que não passava de impressão. Então acabou o medo. Então foi o fim. E nem houve tanta dor. Nada aconteceu de repente. Ao longo dos anos construímos abismos e muros. Poucas pontes. Não. Não há dor. Há dormência. E a constatação de que
É essa a tristeza.
:: 16 de outubro, 2004 ::
Banquete!
Hoje é dia de banquete!!!!! Tudo do bom e do melhor pra comemorar o aniversário do meu mano. (Tá ficando véio heim!!! Corre que você me alcança... rs). Por isso hoje teremos uma senhora lasanha...
E de sobremesa um pudim de leite daqueles....
E enquanto vamos comendo, vou aproveitar pra falar umas palavrinhas... Nos conhecemos há dois anos mais ou menos e desde sempre houve essa coisa de irmão entre a gente, isso de cuidar um do outro, de torcer um pelo outro. Nunca nos vimos pessoalmente, mas Madeo sabe de longe se estou pulando de alegria ou de farol baixo. Ele me aceita exatamente como sou, mas me dá cada puxão de orelha que só mesmo um irmão é capaz de dar. Fala verdades duras de serem ditas e ouvidas porém, da maneira mais carinhosa possível. Depois pede gentilmente que eu me taque nas paredes. Mas não larga da minha mão. Sofre comigo e senta ao meu lado até a chuva passar. Estende um lenço pra chorarmos juntos. Não me obriga a falar se eu não quiser. Mas me ouve sempre e sempre e sempre. Entre a gente não existem meias palavras. Ou é sim ou é não. Gosto disso. Gosto de saber que, se precisar, posso gritar por socorro na sua orelha. Assim como gosto quando estamos inspirados e danamos a falar besteira e a gargalhar. Meu irmão grandão! Tão feliz em estar aqui hoje erguendo um brinde à sua saúde, à sua paz... Posso fazer um pedido? O aniversário é seu, mas o post é meu, então vou me dar esse direito, tá bom? Lá vai: Meu Deus! Mano vééééééééééiiiiooooooooooooooooooo!!!
:: 15 de outubro, 2004 ::
Agradecimento
A todas as pessoas que me ensinaram alguma coisa nessa vida... Ler, escrever, pensar, dividir, multiplicar, descobrir, sorrir, compreender, continuar, discordar, refletir, argumentar, buscar...
Obrigada, meus professores!!!! Dei trabalho, eu sei, mas tenho tudo guardado aqui dentro. Desde as mais simples lições. Obrigada!!!
:: 12 de outubro, 2004 ::
Brincadeira de criança
A madrugada estava inteira. Abri o msn e lá estava a comadre online. Papo vai, papo vem, resolvo abrir o contador de visitas do horizonte. Quase nunca abro os links de busca mas, por acaso abri esse e quase caí dura pra trás. É isso mesmo. Ele não funciona. Já, já virá a explicação. Continue a ler... rsrsrsrsrsrs.... Rumo às Estrelas era um frankieblog, sabe? Um troço difícil demais de se fazer, pois o(a) autor(a) tem que se dar ao trabalho de copiar e colar coisas escritas por outras pessoas, alterar alguns dados, uma vez que nem todas as filhas se chamam Lu e Gi. Absurdo dos absurdos. Achei um pacote de posts de gente conhecida, meus inclusive, com imagem e tudo. A bonitinha da Ma estava nos clonando, na maior cara de pau. Aliás, foi a Lu que lembrou de um comentário deixado por ela, no dia 14 de junho, meloso que dói. Vale a pena conferir as doces e tristes palavras de Maria Carolina. Foi a partir daí que a gente conseguiu chegar no IP da belezura. Mas... continue a ler... rsrsrsrsrs.... Passamos do espanto ao pasmo. Polly foi tomar água. Eu fui fumar um cigarro. Depois começamos a rir. Rimos da total incompetência da Ma que. pobrezinha, não consegue construir uma frase sequer, por isso precisa copiar dos outros. Nos despedimos, eu e Polly, marcando um encontro com todos os envolvidos para a tarde do feriadão. Cá estávamos nós, uns 8 na mesma caixinha de msn, verificando a palhaçada da outra, quando alguém percebeu que as estrelas tinham ido pro espaço. Literalmente! A Ma deletou o blog assim, na nossa cara. Nem nos chamou pra um cafezinho!! Que falta de consideração!! Usa e abusa dos nossos textos e imagens e depois sai à francesa. Mas, elazinha não contava com a astúcia da Cacau e do Madeo que conseguiram IP, mail e print screen de tuuuuuuuuuuuudo!!!! Ya ya ya ya ya ya ya ya ya .... Agora vamos marcar outra reunião de cúpula pra decidir o que fazer: guilhotina, prisão perpétua ou trabalhos forçados... rs.... Resumindo a ópera, foi um Dia das Crianças bem divertido... rs...
:: 10 de outubro, 2004 ::
Tempestade
Fica tudo quieto e parado antes da chuva. Só um galo insistente, um passarinho feliz e as batidas do enxadão na terra. Daí vem um vento e faz assobiar o mato. É a natureza grande e misteriosa que ruge com o trovão.
Escrevi isso há anos.
:: 09 de outubro, 2004 ::
Mingau de aveia com canela...
De fato, somos aquilo que comemos. Não resta dúvida. Os alimentos têm poderes que a gente não imagina e por ignorância, deixa de usufruir. Foi a essa conclusão que cheguei enquanto mexia o mingau de aveia que me serviu de jantar. A canela que caiu para fora da caneca, assoprei pela cozinha. E ficou um perfume bom demais no ar. Comi o mingau de colher, pensando que igual ao da vó Ilda, nunca vou conseguir fazer. Lembrei também da Lê, a amiga com quem dividi os primeiros tempos de cidade grande. Nosso armário era cheio de farinhas integrais, germe de trigo, aveia, gerlgelim, açúcar mascavo, mel. A gente era metida a hippie, a comer só natural, mas se acabava no churrasco quase todo final de semana. E na cerveja, lógico, argumentando, na maior cara de pau, que tratava-se de cevada fermentada, ué, naturalíssima!!! Mas por quê foi mesmo que lembrei da Lê? Ah sim, porque andei olhando fotos antigas e percebi que tenho uma única daquele apartamento, na Frei Caneca, 812/202, Cerqueira César, São Paulo, Capital. Uma imagem. Um clique. E milhões de histórias. Para completar, recebo a visita de meu amigo Zaga, que já havia se aventurado na cidade grande bem antes da gente e lá vive até hoje. Tirou uma semana de saco cheio e veio fazer nada na terrinha. Lembrou de eu e me ligou! Combinamos de ir rezar juntos e depois viemos dividir um chá de frutas e conversa da boa. Ele se foi e demorei a dormir. Fiquei pensando numa das coisas que ele me disse. Que eu havia chegado onde sempre quis. Uma casa no campo onde guardo meus amigos, meus livros, meus discos e duas filhas de cuca legal. Eu que andava pra lá de insatisfeita com tudo, de repente, olhei em volta. Verdade! Era isso mesmo que eu queria!
Daí que além da horta que já existe, pretendo fazer outra, maior. O canteiro de girassóis já está plantado. Mas temos muito espaço, então por quê não construir aquela casa na árvore? E começar de uma vez a separar o lixo orgânico dos outros materiais que podem ser reciclados? O que estou esperando pra engatilhar um trabalho voluntário com a criançada aqui da vila? O que está me impedindo de fazer o que tem que ser feito? Caramba, caracoles, caramujos e caranguejos!! Essa onda de energia me ajudou a sobreviver ao baita resfriado que, propositalmente, me deixou de cama essa semana, concedendo-me tempo necessário para repensar a vida, a começar daquilo que permito descer pela garganta, rumo ao estômago. Sim. Estou falando de comida sim. E de outras coisinhas mais.
:: 03 de outubro, 2004 ::
Respostas
De que você tem medo? De escuro? De vento forte? De falta de ar? O que faz seu coração bater apressado? O que faz você rir adoidado? Qual sua cor favorita? Quantos sonhos seus já foram desfeitos? Quantas vezes ouviu "eu te amo"? Já foi obrigado a retroceder? Onde é mais fácil deter o olhar: no passado ou no futuro?
Se pudesse escolher, em qual esquina teria evitado virar? Sorvete de flocos ou de limão? Como digeriu aquela rejeição? E aquele elogio? Quantas vezes foi a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo? Esse é meu problema. Levo tudo muito a sério. E gosto de ouvir respostas. |
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