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:: 31 de maio, 2004 ::
Res-piração...

Final de semana morninho. Aquele baita frio deu um tempo e pudemos curtir um pouco mais o quintal e o jardim. Eu tinha me esquecido como as cores ficam mais intensas nessa estação do ano. E tinha me esquecido também das borboletas pintando tudo de amarelo, laranja, azul, vermelho.

Olho o céu azul e inspiro aquela imensidão agradecida pela vida que vai se ajeitando, se estruturando, aos poucos, mansamente...

E graças a Deus fez sol porque precisei do quintal pra esticar praticamente tudo o que existe nos armários do quarto... Descobrimos que tínhamos um hóspede em cima do guarda-roupa. Mas pra entender melhor a coisa só lendo Uma história para contar... Vale a pena rir...

E aproveitei pra fazer a faxina que nosso quarto de vestir estava me implorando há meses. E fui abrindo maleiro e despejando tudo pra fora, morrendo de medo de encontrar mais hóspedes, catando as caixas de fantasias, cobertores, bichinhos de pelúcia... tudo lá pra fora.... ao sol....

Festa total!!!! Meninas ao sol, de óculos escuros, de peruca, de bailarina, de chinesa, de baiana, italiana, motoqueira, palhaça, mulher-maravilha... olho pela janela e cada vez tem uma Lu e uma Gi diferente correndo lá fora...

Inspiro... expiro...

Depois de tudo ensolarado e guardado vamos à rua em frente de casa pra andar de bicicleta e patins. Elas andam. Eu observo. Parecem duas borboletas-meninas, alegres, tingidas de sol. É já que crescem...

Inspiro... expiro...

Prego pregos na parede.
Penduro quadros.
Penso positivo.
Mudo a rota.

E começo a achar que será mesmo um outono-inverno pra lá de especial...


:: 27 de maio, 2004 ::
Trans-pirações...

Busco novidades. Em mim. Em vão. Embaixo. Durante. Depois. Encontro pouca coisa que se possa materializar. Tudo que toco vira pó. Desmaia e evapora. E some. Sem deixar pistas.

Um pouco da culpa é minha. Eu e minha maneira estabanada de ser. Eu e minha aflição. Eu e minha corrida maluca (sempre!) atrás da vida. Eu que não me dou uma segunda chance. Que não me absolvo. Que julgo e determino e bato o martelo: cumpra-se. E me tranco no quarto, aquele último da casa, o mais escuro, o mais frio, o mais sozinho.

Eu - a papisa, a rainha de copas, a bruxa má, a madrasta - aquela que determina as suas próprias punições, sem piedade, sem misericórdia, sem clemência.

Onde está Morgana? Cinderela? Rapunzel?

Onde a suavidade? Onde a doçura? Onde a alegria, o riso alto e forte?

Onde a fantasia? Onde a magia? Onde o pulsar de um coração generoso?

Onde é que fui me esconder?

Por quê, de repente, só ruas sem saída? Por quê todos esses túneis? Por quê tanto subsolo? Por quê essa falta de cor?

Não! Isso não vai ficar assim!

Ensaio mudanças. Preciso dar uma revisada geral na vida. Da cabeça aos pés. A começar pelos cabelos (claro!!! rs....).

E pra mostrar que não estou pra brincadeiras, aviso e participo que voltarei a responder aos comentários nessas caixinhas mágicas e cheias de surpresas. É sério! Preciso restabelecer uma conexão partida que me deu uma baita azia e um jeito ruim.

Isso tudo me ocorreu durante o banho, antes de voltar ao trabalho, agora à noite. Esfreguei bem forte a pele, como se pra tirar essa casca feia e sem graça que se formou em mim.

Quero-me de volta!


:: 26 de maio, 2004 ::
Prazer!

Oi! Meu nome é Lana - a Lhama!!!

Tem gente que acha que Lana - a Lhama não é feliz! Imagina! Que bobagem!

Lana - a Lhama é feliz sim! Ela tem seu próprio casaco de pele e não precisa ficar se entupindo de roupas cada vez que o vento sul chega. Anda rebolante, pelas encostas íngremes, mascando aqui, observando ali, sem grandes preocupações.

Sua próxima empreitada será crochetar quadradinhos de lã coloridos para terminar uma manta que começou no inverno passado. Todos devem compreender que crochetar, para uma Lhama, não é tarefa fácil; a agulha escorrega inúmeras vezes e perde-se horas tentando achá-la no meio da grama. Por isso desistiu do tricô... "patear" duas agulhas finas e compridas é exigir demais de uma pobre Lhama - a Lana.

Mas não pensem vocês que o inverno vai tirar a alegria da mocinha não. Encasada até os miolos, promete reunir os vizinhos pra intermináveis conversas regadas a chá de frutas e vinho. Tudo muito quente! Seria bom que cada um trouxesse um prato, salgado ou doce, à sua escolha.

Ah! Podem trazer as crianças também... Lhaminha Luiza e Lhaminha Giovana aguardam com games, pipoca e guaraná.

Lana - a Lhama quer lançar uma campanha: vamos colorir esse inverno, aproveitar o aconchego pra nos aproximarmos ainda mais e, principalmente, não perder o bom humor, nem mesmo na hora de acordar ou de tomar banho. Que o calor dos nossos abraços alcance nossas almas e que ainda sobre para compartilhar com os outros, que não têm o privilégio de nascer com casaco próprio.


:: 25 de maio, 2004 ::
Tempestade

Tem gente que gosta de fazer tempestade em copo d'água.
Eu também já fui assim.
Acho que sarei.
Eu disse acho.
Melhor não cutucar demais...

...e hoje amanheci cantando assim:

"ainda vai levar um tempo
pra fechar o que feriu por dentro
natural que seja assim
tanto pra você quanto pra mim

ainda leva uma cara
pra gente poder dar risada
assim caminha a humanidade
com passos de formiga e sem vontade

não vou dizer que foi ruim
também não foi tão bom assim
não imagine que te quero mal
apenas não te quero mais..."

Assim caminha a humanidade - Lulu Santos


:: 24 de maio, 2004 ::
Chove

chove lá fora e aqui
faz tanto frio
me dá vontade de saber
aonde está você
me telefona
me chama
me chama
me chama

nem sempre se vê
lágrimas
no escuro
lágrimas
no escuro
lágrimas


:: 22 de maio, 2004 ::
Embalos de sábado à noite

Estamos aqui comentando sobre a novela Celebridade e a opinião das meninas sobre Renato Mendes (Fábio Assunção... ai, ui...) é a mesma: viraram fã do bandido, desde que ele começou a colocar a Laura (Cláudia Abreu) no seu devido lugar. Hoje o capítulo está imperdível: Maria Clara (Malu Mader) vai jantar com o mau caráter bonitão e a pobre da Laura ficará de castigo no quarto.

Todo mundo gosta de ver pessoas maldosas se estabacando, pastando, se dando mal, bebendo um pouco do seu próprio veneno. Isso em cadeia nacional então, é ma-ra-vi-lho-so!!!! Ainda mais quando há uma certa dose de exagero, como bofetadas (splash, splash) ou artimanhas bem armadas que colocam as pessoas certas, nas horas certas, munidas de celulares que funcionam e chaves que abrem, alcançando varandas que dão acesso e elevadores que fecham as portas na hora "h". Novela é uma delícia!!!

Na volta do passeio que fizemos agora à tarde, passamos pela avenida Acácio Piedade, o point mais agitado da cidade. Nem eram 6 horas e os barzinhos já estavam lotados. De dentro do carro, vidro fechado, olho aqueles rostos sorridentes, sem rugas, cheios de espinhas, roupas coloridas, da moda.

Provavelmente as baladas estão apenas começando, as festas estão sendo armadas nesse momento. A noite de sábado tem magia. Tem encontro. Tem paquera. Tem ficada. Tem namoro. Tem beijo na boca. Tem sanduba. Tem jantar à luz de velas. Tem promessas. Tem juras. E é enorme. A manhã de domingo fica a milhares de horas daqui.

... você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve, vai acontecer, o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo e precisamos todos rejuvenescer...

Passamos na padaria: pão de hamburguer, baguete de queijo, leite, doces, chocotone. Café forte. Pipoca.

Estou satisfeita com meus embalos de sábado à noite!!! Só troco a novela por um bom papo!!! Com direito a bolsa de água quente nos pés e tudo!!!!



:: 19 de maio, 2004 ::
Piruetas

Outro dia estávamos falando sobre os sonhos e sobre as teorias que tentam explicar esse estranho modo de nos deslocar durante o sono.

Muitos tentam decifrar seus significados, seus absurdos, suas esquisitices, suas maluquices. Uns dizem que não lembram de sonho algum. Outros, além de lembrar do conteúdo, descrevem detalhes de cores, sabores, sensações.

Aprendi um truque pra ajudar na memorização dos sonhos: ao acordar, antes de levantar, coloque sua mão direita na testa e permaneça alguns minutinhos assim, de olhos fechados. (Cuidado pra não dormir de novo e perder a hora... são apenas uns minutinhos... rs....)

Tem dado certo comigo. Adoro esse papo de sonho. De lembrar deles, de perceber em algum detalhe um sinal, uma resposta, um aviso...

Essa noite, por exemplo, eu estava numa sala de aula de dança. Um professor no lado oposto da diagonal chamava um por um para fazer piruetas. Na minha vez, girei, girei, girei, girei... 5, 6, 7, 8... mais uma, e outra, várias, muitas e muitas e muitas piruetas. Sem nenhum esforço. Algumas até de olhos fechados. Pra direita. Pra esquerda. Câmera lenta. Muito rápido.

Lembro da malha que estava usando, dos pés descalços, da sensação do giro, do eixo, do norte, do meu corpo moldando o ar...

Conclusões....
Quem se arrisca?


:: 18 de maio, 2004 ::
Fazendo arte...

Eu ando com a macaca. Literalmente. Me coçando (por causa do frio), me irritando (com as macaquices alheias), me rindo (das minhas próprias desgraças), me exibindo (das minhas poucas qualidades), me repetindo (uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravooooo...).

Ser mãe-macaca no século XXI não é pra qualquer um não. Meu instinto animal tem me pregado peças incríveis. Quando penso que tá tudo nos trinques, me vem uma delas, pedindo pra eu assinar o caderno onde tem um bilhete maroto da professora: "Srs. Pais - Sua filha brinca e conversa na aula e precisa caprichar mais na letra. Favor assinar embaixo do ciente." Como assim? Meu bebê??? Não pode ser... rs...

Em todo caso, caprichei na maquiagem, dei um tapa no visual e resolvi que vou encarar a selva. Não posso (ainda) fugir dela e se tenho que enfrentá-la, que seja, de batom, brincos, salto alto e sete gotas de perfume...

Mas bem que eu podia receber flores e bombons, né? Assim... de surpresa...

Seria mais fácil segurar os excessos... Voltar a caminhar diariamente... Costurar a boquitcha etc e tal... Entenderam agora porque não gosto do inverno? A gente se entulha de roupa e de comida e vira um dragão cuspindo fogo pelas ventas.... ai ai ai....

Bom.... prometo pensar seriamente sobre isso, porém... gostaria de destinar uma ou duas horas por dia pra fazer arte... rs.... pois, já dizia o sábio pensador: já que de arte nesta terra não se vive, que a arte ajude a viver... combinado?



:: 16 de maio, 2004 ::
Raízes...

É bom acordar de manhã ouvindo as meninas cantando: Viver... ê ô... ê ô... e não ter a vergonha de ser feliz... cantar e cantar e cantar a beleza de ser um enterno aprendiz.... ai, meu Deus... eu sei... que a vida devia ser bem melhor e será... mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita.... simbora povo!!!

Amanheceu um domingo muito azul e frio aqui. Terei de me conformar com o inverno, ou então me mudo de mala e cuia pro nordeste. Melhor olhar o lado bom da coisa: mexirica, pinhão cozido, lagartear ao sol, sonhar com a primavera...

Sonhar... ficar quietinha aqui e germinar idéias, pensamentos, sentimentos, posturas.... E lançá-las ao ar no momento certo. Assoprá-las ao vento. Talvez dêem a volta ao mundo e se avolumem, cresçam, criem corpo, até materializarem-se em mim.

Não somos o reflexo do que pensamos? Com base nisso me permito esse tempo. Essa distância. E nesse espaço vou desenhando o jardim, o quintal, a varanda, o sótão, o porão. Capricho no rascunho pra não precisar voltar mais tantas vezes à mesma lição. Faço a minha fotossíntese sem preocupação alguma de agradar. O que vai nascer disso tudo sou eu. E é com todo carinho e respeito que enterro minhas raízes nesse chão.


:: 14 de maio, 2004 ::
Fui...

Nunca essa frase esteve tão em pauta na minha vida:

Quem não é visto não é lembrado!

- Sai de baixoooooooooooooo.... rs.....


:: 13 de maio, 2004 ::
Homenagem

Manitchaaaaaaaaaa... canta comigo!!!

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

(Casa no Campo - Zé Rodrix e Tavito)

Emendando... vi esse texto no blog da Lúcia ou da Norma, faz tempinho já...

Minha pequena homenagem - atrasada - à essa raça da pedra dura!!!!

Oração para as mulheres

Quando nascerem, que não as cerquem demais de côr-de-rosa

Quando forem crianças, que as deixem se vestir de homem-aranha

Quando menstruarem, que entendam o que há com seu corpo

Quando derem o primeiro beijo, que haja fogos de festa junina

Quando tiverem a primeira paixão, que achem que é para sempre

Quando tiverem a primeira decepção, que saibam que vai passar

Quando tiverem um homem, que desejem que dois sejam um

Quando ficarem grávidas, que tenham coragem e medo

Quando forem mães, que não esqueçam que são mulheres

Quando trabalharem, que não esqueçam que são mães

Quando saírem às ruas, que mantenham o passo firme

Quando chegarem em casa, que fechem a porta sorrindo

Quando forem deixadas, que consigam rir de si mesmas

Quando deixarem alguém, que não sintam culpa de nada

Quando forem felizes, que gargalhem até cansar

Quando ficarem tristes, que não tenham pena de si mesmas

Quando olharem pra dentro, que dispensem o uso de bússola

Quando envelhecerem, que acordem de novo para a vida

Quando morrerem, que reencarnem de novo mulher



:: 12 de maio, 2004 ::
Simples...

Não sei... se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

(Cora Coralina)
_____________________________

A Li me mandou por zémeio e disse que a poetinha agradeceria a publicação. Tão simples e tão verdadeiro. Vivo em busca dessa simplicidade, complicando, achando que não tá bom, que deveria ser assim, que poderia ser assado, me esquecendo do quanto tenho que agradecer por acordar, abrir os olhos e perceber que minha vida está ali, prontinha pra viver...

Eitcha que não aprendo mesmo!!!! Ontem especialmente triste, hoje incrivelmente suavizada. Quem me dera encontrar a harmonia entre os vales e as montanhas...


:: 10 de maio, 2004 ::
Tim-Tim...

Depois de tomar três taças de vinho e degustar uma polenta com frango numa cantina italiana, chegamos em casa - eu, Lu e Gi, minha mãe e meu pai - lá pelas 3 da tarde do domingo das mães e... garrei trabalhar.

Manitcha já tinha ralhado comigo de manhã: "hoje não é dia de lesco-lesco"!!! Enquanto ela falava com as meninas pelo msn eu, de tinta nos cabelos, lavava louça, roupa, varria, ajeitava e planejava.

Deu a louca na Lana? Não, não. Mudanças necessárias. De estação, de quarto, de sensações. É novo o outono. É outro o inverno que se aproxima. As noites frias são diferentes. Eu também estou diferente.

Com a ajuda de Mário Quintana posso dizer que no primeiro frio do ano fui feliz, se não me engano!

O quartinho dos fundos é muito alto astral, mas o forro é de madeira e, bateu o noroeste, gela! Então voltamos para a suíte presidencial que só não tem lareira e frigobar, mas é equipada com tv, video, games, sanitário (hum!!!) e laje no teto. Bem mais quentinho! Além disso, fica no lado leste da casa e o sol nasce na janela, bem nas nossas cabeças. Amém!

E como tudo muda nessa vida (pra melhor, sempre!), foi diferente o meu domingo das mães, que começou com um café na cama feito pelas meninas, trazido na bandeja, com um delicioso mamããããããeeeeee.... bom dia!!!

E, quando entrar setembro... a gente muda de novo... a gente muda sempre... e aprende a se importar só com o lado colorido da vida...



:: 07 de maio, 2004 ::
Segredinhos...

- Mamããããããeeeeee... posso te contar uma coisa?

- hurum...

- Promete que não conta pra ninguém?

- Claro, Gi!

- bzbzbzbzbzbzbzbzbz....

- Quê???

- rsrsrsrsrs.... bzbzbzbzbzbzbzbzbzbz...

- Você o quê???

- BZBZBZBZBZBZBZBZBZBZBZ...

- Ah! entendi! é sério?

- Não, né? Quer dizer, é um pouco sério?

- Tá contando pra mamãe, Gi?

- Tô, Lu, você já sabe!!!

- Ah! É sobre aquilo lá?

- É... rsrsrsrsrsrsrs....

- Gi, brigada por confiar em mim. Promete me contar as novidades?

- Prometo, mamãe!

- Que bom, filha! Só não vai se meter em encrencas, tá? Prestenção e se cuida!!!

- Tá, tá, tá...

- Olha lá heim... e conta sempre comigo!!!

- Tá, mamãe pode deixar, mas não fala pra ninguém...

- Não falo!!!

(compromisso selado com abraço e beijo)

___________________________________

Moral da história:

Confiança não se impõe... se conquista...


:: 05 de maio, 2004 ::
Sinceridade

De uns tempos pra cá tenho feito amigos e amigas que - sei - são pro resto da vida. De uns tempos pra cá tenho escolhido essas pessoas. Tenho escolhido qual rosto beijar. Em quem confiar.

Isso foi se tornando necessário com o passar do tempo. Infelizmente. Criei minhas cascas pra me defender, coisa que sempre abominei. Foi o jeito. Defesa. Pura defesa.

Em contrapartida existem seres especiais que - sinto - não têm interesse nenhum em me prejudicar ou me atrapalhar. Que não perdem seu tempo precioso se incomodando comigo e - melhor - me estendem a mão, o ombro, o colo ao menor sinal de tristeza. E mais: percebem essas tristezas nas minhas entrelinhas, nos meus silêncios, nas minhas ausências.

É através dessas pessoas que recebo os sinais de Deus. Sinais de que viver é um grande prazer. Uma oportunidade única de aprendizado que passa muito, muito rápido...

O texto abaixo recebi por email de uma dessas pessoas especiais que a vida me deu de presente, assim, sem cobrar nada. Ela me autorizou a publicação. Coisa que faço com o maior carinho e respeito. Porque sinceridade é bom e eu gosto!


Como alguns de vocês sabem, eu perdi a minha irmã no dia 23 de março... vítima de um câncer... e desde então, e desde até antes... eu sofria em pensar na falta que ela me faria... e na saudade que sentiria... só que quando aconteceu de fato, eu pude saber e tem sido assim... a saudade tem sido infinitamente maior do que eu sequer imaginei... e ao mesmo tempo que entendo ter que deixá-la ir, que foi melhor assim, que muito mais sofrimento pra ela se faria, se ficasse... passei a ficar mais ligada em sinais... sinais, sabem? aqueles do cotidiano, coisas aparentemente bobas... que nos passam batido na correria em que vivemos... como se ela pudesse falar comigo através de algum deles...

Com toda a dor tenho seguido trabalhando, tentando ser forte e ficar bem... junto à minha família, amigos... meus filhos, que me inspiram sempre... seguindo, como ela me pediu e como sei que tem que ser.

E foi assim que nessa madrugada passada, ali por 3 e tal... resolvi ir dormir e fui fechando as janelas... e quando cheguei no meu quarto... ouvi o barulho do mar, e acreditem... quem mora perto do mar, se reabastece da energia dele todos os dias, mas com a disponibilidade dele ali, nem sempre lhe dá a devida importância.

E parei quase de respirar pra confirmar se aquilo era o barulho do mar mesmo, há sete anos morando em frente a ele, nunca o tinha ouvido daquele jeito... eu tinha acabado de sair da sala que fica mais perto dele... e não tinha ouvido... como podia ser isso? pensei... e abri a janela de novo, coloquei a cabeça pra fora... e ouvi aquele barulho intenso...

E voltei pra sala... numa varandinha que tem aqui... abri, e tive um dos mais lindos momentos da minha vida... era ele... majestoso e tão simples ao mesmo tempo... barulhento, mas um barulho ritmado... um bálsamo pros meus ouvidos... e pude ver que a maré estava enchendo... calmas e intensamente as ondas se sobrepunham umas as outras em total harmonia... e parecia que várias enormes "torneiras" tinham sido abertas pra cumprir aquela função de encher e encher o mar e fazê-lo transbordar pra faixa de areia que se perdia nos meus olhos, por causa do escuro...

Fiquei assim admirando aquele espetáculo por um bom tempo... apesar de madrugada de final de semana... a avenida estava quase deserta... e as poucas pessoas nos seus carros ou à pé... pareciam alheias àquilo, como tantas vezes eu devo ter ficado...

Momento meu, momento único... até meu cão querido que vive na minha cola e que normalmente pede colo quando vou a varanda... ficou quietinho ali deitado nos meus pés... fui deitar e adormeci tão rápido... e quando acordei pensei que tivesse sonhado... mas não, vivi aquela emoção... e tá aqui o mar... agora com seu som abafado pelos ruídos... e a faixa de areia curtinha pela maré alta.

Deus falou comigo ali, me senti falando com Deus, seu Filho e a Mãe Dele... algo além, um abraço afetuoso jamais recebido ou percebido... e quem sabe com Rosa, né... minha irmã com nome de flor.

Quis compartilhar com vcs, a reafirmação da minha fé... a fé pela fé, independente de religião.

Beijos...


:: 03 de maio, 2004 ::
Outra Estação

Senti o vento de maio entrar pela porta da sala ontem à tarde.

O invasor é quente e abafado.

Roçou minha pele (arrepiada).

... vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação ...

... Vento de raio rainha de maio estrela cadente ...

Fechei os olhos.

Pedi um favor ao vento:

- Leve tudo que for desnecessário.

Ando cansada de bagagens pesadas.

Daqui pra frente, apenas o que couber no bolso e no coração.


... Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção

Sol girassol e meus olhos ardendo de tanto cigarro

E quase que eu me esqueci que o tempo não pára

Nem vai esperar

Vento de maio rainha dos raios de sol ...